Paquistão alerta Irã para que contenha houthis após ataques contra a Arábia Saudita

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Fonte da notícia: Valor Valor

O Paquistão transmitiu ao Irã um alerta da Arábia Saudita para que contenha seus aliados houthis no Iêmen depois que eles intensificaram os ataques contra o reino, em um esforço coordenado para impedir que a crise saia de controle, disseram fontes sauditas, paquistanesas e iranianas. Leia também: Irã cria novo cerco com grupos aliados para ameaçar parceiros dos EUA no Golfo Irã e EUA atingem petroleiros na maior onda de ataques à navegação desde início da guerra Irã diz ter capturado drone submarino dos EUA no Estreito de Ormuz Os houthis atacaram uma base aérea em Khamis Mushait e instalações petrolíferas em cidades próximas na terça-feira, deixando 73 feridos, em um dos maiores ataques contra o território saudita desde o início da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, em fevereiro.

O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, disse nesta quarta-feira que aviões de guerra sauditas realizaram 54 ataques aéreos em várias províncias do Iêmen nas últimas 12 horas, acrescentando que eles “não ficarão sem resposta nem punição”.

A escalada do conflito, que representa uma segunda frente de guerra capaz de ameaçar o fornecimento global de energia, ocorre enquanto Washington e Teerã travam a maior onda declarada de ataques recíprocos contra embarcações na região do Golfo desde o início da guerra, há mais de seis meses.

O alerta do Paquistão ao Irã tem peso significativo por causa de seu pacto de defesa com a Arábia Saudita e a Turquia.

Embora autoridades em Islamabad tenham ressaltado que qualquer papel militar se limitaria à defesa do território saudita, o ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Asif, disse que ataques que se estendam ao reino poderiam acionar um acordo conjunto de segurança envolvendo Riad, Ancara e Islamabad.

“Uma agressão contra um país será considerada uma agressão contra os três países”, disse Asif à televisão paquistanesa.

“Não há ambiguidade nem dúvida... Uma agressão não provocada ou um transbordamento [do conflito]... para a Arábia Saudita definitivamente fará com que esse acordo entre em vigor.”

O Ministério da Defesa, o Ministério das Relações Exteriores e as Forças Armadas do Paquistão não responderam a pedidos de comentário da Reuters. alerta do Paquistão ao Irã tem peso significativo em razão de seu pacto de defesa com a Arábia Saudita e a Turquia Site da Presidência do Irã/WANA (West Asia News Agency)/Divulgação via REUTERS Temor de que guerra se transforme em crise regional A intervenção do Paquistão, após anos equilibrando suas relações com Arábia Saudita e Irã, ressaltou a gravidade dos ataques dos houthis. A mensagem a Teerã é clara: contenha os houthis ou corra o risco de transformar um conflito por procuração em uma crise de segurança regional mais ampla, disseram as fontes.

Um diplomata de alto escalão da região disse que o Paquistão transmitiu a mensagem ao Irã nas últimas 24 horas, pedindo a Teerã que use sua influência para interromper os ataques dos houthis contra a Arábia Saudita.

Uma autoridade iraniana de alto escalão confirmou que o Paquistão transmitiu a mensagem a Teerã na terça-feira e que a resposta foi que “o Irã não controla os houthis”.

No entanto, duas fontes iranianas disseram que a República Islâmica havia orientado os houthis na semana passada a realizar ataques contra a Arábia Saudita. O Irã prometeu financiamento e armas adicionais, disseram as fontes, enquanto vários comandantes da Guarda Revolucionária Islâmica viajaram ao Iêmen para ajudar a coordenar os ataques.

O diplomata regional disse que Islamabad tenta conter os houthis antes que a escalada chegue a um ponto em que Riad possa pressionar o Paquistão a assumir um papel mais ativo em sua defesa.

“O Paquistão tem um acordo com a Arábia Saudita, mas espero que a situação não chegue ao ponto em que o Paquistão tenha de intervir de fato”, disse o diplomata à Reuters. “Por enquanto, buscará uma solução diplomática.”

A fonte paquistanesa disse que autoridades sauditas se reuniram com altos representantes militares do Paquistão e da Turquia em Riad para coordenar sua resposta. Os três países concordaram que suas tropas não entrariam no Iêmen e que qualquer resposta seria lançada a partir do território saudita, acrescentou a fonte.

Uma segunda fonte paquistanesa disse que nenhuma decisão havia sido tomada sobre a participação em ataques de retaliação, ressaltando que o pacto militar do país com Riad é defensivo e se limita à proteção do território saudita. As forças paquistanesas poderiam fornecer apoio militar, técnico, terrestre ou aéreo dentro da Arábia Saudita, mas não participariam de operações de combate em território estrangeiro, disse a fonte. Uma coluna de fumaça sobe de um caminhão em chamas durante o que os houthis afirmam ter sido um ataque contra caminhões vindos do território saudita, na passagem de fronteira de Al-Wadiah, perto de Al-Wadiah, na fronteira entre Arábia Saudita e Iêmen, nesta imagem obtida de um vídeo de divulgação publicado em 7 de setembro de 2026 Centro de Mídia Houthi/Divulgação via REUTERS A campanha de pressão conduzida pelo Irã e pelos houthis pode produzir o efeito oposto ao pretendido por Teerã, afirmou o diplomata regional.

Ao atacar a segurança do Golfo numa tentativa de pressionar Washington por causa do bloqueio aos portos iranianos, Teerã corre o risco de levar Arábia Saudita, Paquistão, Turquia e outros países alinhados aos Estados Unidos a uma coordenação de segurança mais estreita, em vez de enfraquecer seus laços.

Bloqueio de Trump ao Irã deve continuar Autoridades da região também veem poucos sinais de que Washington esteja disposto a recuar.

O presidente Donald Trump parece determinado a manter o bloqueio dos Estados Unidos até que o Irã chegue a um acordo com Washington, disse o diplomata, enquanto o Catar analisa discretamente novas propostas destinadas a levar os dois lados de volta às negociações.

Outra fonte regional disse que a resposta militar da Arábia Saudita permanecerá concentrada nos houthis, e não no próprio Irã. Autoridades sauditas tampouco acreditam que os ataques dos houthis alcançarão o objetivo mais amplo de Teerã de pôr fim ao bloqueio americano. Uma mulher caminha perto de um mural antiamericano em Teerã, no Irã, em 9 de setembro de 2026 Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS

Não se espera que Riad pressione Washington a suspender o bloqueio, disse a fonte, ressaltando que Trump acredita que uma pressão econômica contínua é o caminho mais eficaz para levar a negociações.

“A questão é quanto sofrimento o Irã consegue suportar e por quanto tempo”, disse a fonte. “Trump não quer uma solução militar. Ele quer pressioná-los por meio do bloqueio.”

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