Papa Leão XIII critica gastos com guerras como forma de 'proteção': 'traição a democracia'
O Papa Leão XIII afirmou nesta quinta-feira (14) que os investimentos militares na Europa contraria os princípios da diplomacia. A declaração ocorre após os gastos com defesa no continente registrarem, em 2025, o maior aumento desde o fim da Guerra Fria, em um cenário de pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Durante discurso para estudantes da Universidade Sapienza, em Roma, o pontífice afirmou que os países não deveriam tratar o aumento de arsenais como proteção.
'Não chamemos de ‘defesa’ um rearme que aumenta as tensões e a insegurança, empobrece os investimentos em educação e saúde, trai a confiança na diplomacia e enriquece elites que não se importam com o bem comum', declarou.
O papa também alertou para os impactos das novas tecnologias nos conflitos armados e citou guerras na Ucrânia, em Gaza, no Líbano e no Irã como sinais de uma 'evolução desumana da relação entre a guerra e as novas tecnologias em uma espiral de aniquilação'.
Sem citar diretamente Trump, Leão XIII tem endurecido o tom nas últimas semanas contra a condução dos conflitos internacionais. O presidente americano pressiona países europeus a elevarem os gastos militares, enquanto a OTAN aprovou neste ano uma nova meta de investimento equivalente a 5% do PIB dos países-membros.
Ao encerrar o discurso, o pontífice pediu que os estudantes se juntem pela paz.
'Juntos comigo e com muitos irmãos e irmãs, sejamos artífices da verdadeira paz', afirmou.
