País vai usar inteligência artificial para criar as provas escolares; o Brasil pode ser o próximo?

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Fonte da notícia: O Antogonista O Antogonista

Projeto sul-coreano prevê gerar textos para o vestibular nacional, enquanto o uso brasileiro já inclui apoio automatizado à preparação Usar inteligência artificial em provas pode parecer sinônimo de entregar todo o exame a uma máquina.

A Coreia do Sul anunciou algo mais específico: desenvolver um sistema para gerar textos da avaliação de inglês do vestibular nacional. O país pretende usar a tecnologia no Suneung, exame de acesso ao ensino superior.

O Ministério da Educação da Coreia do Sul incluiu a proposta numa reformulação das provas. O comunicado de fevereiro de 2026 prevê reduzir o tempo de produção dos textos.

Também apresenta possíveis aplicações futuras na previsão de dificuldade e na identificação de questões semelhantes. O cronograma anunciado aponta desenvolvimento a partir do segundo semestre de 2026 e testes em simulados do ciclo acadêmico de 2028.

São metas, sem equivalência com adoção imediata em todas as escolas. A mudança responde a problemas de dificuldade na prova de inglês.

Segundo o ministério sul-coreano, apenas 3,11% dos candidatos alcançaram a faixa mais alta na edição referente ao ano acadêmico de 2026. A proposta também reforça a seleção de especialistas e a participação de professores na checagem da dificuldade.

O plano combina apoio tecnológico com mudanças no trabalho das equipes responsáveis. No Brasil, a inteligência artificial já aparece na preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio.

O aplicativo MEC Enem oferece assistente virtual e correção automatizada de redações de treino, conforme divulgação da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. O Ministério da Educação lançou a ferramenta em outubro de 2025.

Ela reúne simulados com questões do exame e devolve sugestões para os textos dos estudantes, acompanhadas de pontuação estimada. Essa estimativa serve ao estudo e tem finalidade diferente da nota oficial.

Para o sistema educacional brasileiro, essa diferença ajuda a separar assistência ao aprendizado de decisões sobre aprovação. O debate também alcança outras aplicações da tecnologia na educação, tema de uma reportagem de O Antagonista.

“Inteligência Artificial será nosso novo braço direito”, diz Bill Gates➔ As competências cobradas continuam sendo a referência para discutir qualquer ferramenta de elaboração.

Nas Matrizes de Referência do Enem, o Inep descreve habilidades como compreender fenômenos, resolver problemas e construir argumentos. O documento organiza conteúdos e capacidades esperadas por área do conhecimento.

Para a avaliação educacional, isso significa que um enunciado precisa servir a um objetivo pedagógico definido. Produzir uma pergunta gramaticalmente correta, por si só, não demonstra que ela avalie a habilidade pretendida.

Uma eventual adoção de inteligência artificial na elaboração do Exame Nacional do Ensino Médio teria de ser examinada à luz dessas exigências. A comparação com o projeto estrangeiro indica possibilidades de uso, sem estabelecer um calendário brasileiro nem uma decisão do Ministério da Educação.

Supervisão humana e transparência são pontos centrais nessa discussão internacional. Em audiência no Parlamento britânico, em setembro de 2026, o dirigente do regulador inglês Ofqual diferenciou apoio à criação de questões e julgamento das respostas.

Ian Bauckham apontou possíveis usos construtivos na elaboração, mas destacou riscos de vieses na correção de respostas complexas. Segundo ele, o órgão permite apoio tecnológico ao controle de qualidade e mantém a avaliação humana como atividade principal nesses julgamentos.

Para o sistema educacional brasileiro, a questão envolve preservar critérios compreensíveis numa avaliação educacional que pode influenciar o acesso à universidade. Pensando na sua trajetória ou na de alguém próximo, que revisão humana você esperaria numa prova preparada com inteligência artificial?

As aplicações internacionais da tecnologia também alcançam questões de soberania e controle de dados. Na Ásia Central, esses usos aparecem em outra discussão sobre o desenvolvimento da IA.

Márcio Coimbra na Crusoé: Geopolítica da inteligência artificial➔

Publicação Original O Antogonista oantagonista.com.br
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