Pais relatam preocupação com gravação de alunos em escola de SP para documentário da Brasil Paralelo

 

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A gravação de um documentário da produtora Brasil Paralelo dentro de uma escola de educação infantil de São Paulo foi criticada por professores, enquanto pais de alunos relatam preocupação com a gravação dos filhos sem o consentimento dos responsáveis. A Brasil Paralelo é associada à direita brasileira e à ala conservadora.

A produção “Pedagogia do Abandono” vai ser lançada na noite desta segunda-feira (20). Ela parte do princípio de que escolas brasileiras promovem “ideologia de gênero” e atribui os resultados ruins da educação brasileira às ideias do educador Paulo Freire.

A escola é a Emei Patrícia Galvão, na região da Praça Roosevelt, no Centro de São Paulo. Os pais alegam que não foram informados sobre o teor da produção.

Emei Patrícia Galvão, na região da Praça Roosevelt, no Centro de São Paulo

Reprodução

Vídeos de divulgação do documentário mostram críticas à matrícula obrigatória de crianças a partir dos quatro anos e defendem a tese de que a escolarização precoce expõe os alunos a uma suposta doutrinação ideológica.

Uma carta enviada aos pais dos alunos foi enviada pela direção da Emei Patrícia Galvão foi obtida pela Folha de São Paulo. No documento, a direção alega que representantes da Spcine informaram que as gravações aconteceriam apenas em espaços sem a presença dos alunos. Mas, um trailer do documentário exibe crianças não identificadas vestindo o uniforme das escolas da rede municipal.

No último sábado (18), famílias e educadores se reuniram em frente à escola para uma manifestação. Entre os participantes, a diretora da Emei Patrícia Galvão, Sandra Regina Bouças. Apesar de não falar especificamente sobre o documentário, ela defendeu as escolas públicas diante dos ataques sofridos.

Procurada pela reportagem, a Prefeitura não respondeu se foi informada pela produtora sobre o teor do documentário quando a gravação foi autorizada. Em nota, a gestão disse que a Spcine recebeu o pedido para gravação e que a autorização foi dada após análise técnica.

A Prefeitura alega também que o procedimento é padrão e foi o mesmo adotado em todas as outras 253 solicitações feitas ao município para essa finalidade até o momento em 2026. Por fim, a Prefeitura disse que a verificação de aspectos legais como uso de imagem e participação de menores é de responsabilidade dos produtores.

A reportagem da CBN procurou pela produtora Brasil Paralelo, mas não obteve retorno.