O candidato do PSD ao governo do Rio, Eduardo Paes, buscou se desvincular de ex-aliados que já foram presos, como o ex-governador Sérgio Cabral — condenado por corrupção — e seu ex-secretário na prefeitura da capital fluminense Chiquinho Brazão, preso pela morte de Marielle Franco. O ex-prefeito prometeu ainda criar um "sistema único de segurança fluminense" para integrar forças municipais ao plano do Estado para o combate ao crime.
Em entrevista hoje ao RJ1, da TV Globo, Paes foi confrontado com casos de políticos que já foram seus aliados, e acabaram sendo alvo de condenações criminais. Em relação a Cabral, condenado por crimes como corrupção e organização criminosa na Lava Jato, ele disse que ambos tiveram uma “relação institucional”.
Ele enfatizou que sua vida pública é transparente e que nenhuma investigação feita contra ele encontrou crimes. Paes aproveitou para atacar o grupo do seu principal rival na disputa pelo Palácio Guanabara, Douglas Ruas (PL). Ele reforçou que Ruas é do mesmo grupo do ex-governador Claudio Castro (PL), investigado em casos como Master e Refit.
Além disso, lembrou que ele é o nome que representa o clã Bolsonaro, na disputa no Rio, lembrando os problemas que os últimos nomes apoiados pela família do ex-presidente Jair Bolsonaro representaram para a política fluminense. “Eles tentam enganar o povo de novo agora”, disse Paes.
O candidato do PSD lembrou que Wilson Witzel, afastado por impeachment em 2021; e Castro, agora enfrentando investigações criminais, foram escolhas da família Bolsonaro. “Todos os meus adversários em 2018 ou foram ‘impichados’ [sofreram impeachment] ou foram presos”, disse, fazendo ainda referência a outro adversário, Anthony Garotinho (Republicanos), preso em 2019 por suspeita de superfaturamento de contratos.
Ainda respondendo sobre ex-aliados que foram presos, Paes foi confrontado com a nomeação para uma secretaria na prefeitura do Rio de um dos condenados pela morte de Marielle Franco, o ex-deputado Chiquinho Brazão. O candidato do PSD afirmou que Chiquinho foi uma indicação do Republicanos para seu governo, costurada em uma aliança política. Ele enfatizou que assim que a suspeita da participação de Brazão no crime político veio à tona, ele o demitiu da prefeitura.
Assim como seus rivais, Paes dedicou grande parte da entrevista para falar sobre seus projetos para a área de segurança pública, tema mais sensível na campanha eleitoral do Rio. Ele se comprometeu, caso eleito, não "empurrar" a responsabilidade para outros níveis de governo, assumindo o papel de libertar áreas controladas pelo crime no Estado.
Paes voltou a afirmar que irá começar a retomada de controle de territórios dominados por facções criminosas pelo Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. A área fica no município que é o berço e reduto eleitoral do rival Douglas Ruas. O pai do candidato do PL, Capitão Nelson(PL), é o atual prefeito da cidade.
Ele garantiu que a escolha do local não tem motivação política, mas atenderia a critérios técnicos. “O Complexo do Salgueiro está entre a Baía de Guanabara e a BR-101, numa cidade onde metade da população vive com medo sob o julgo do crime organizado”, explicou.
Paes afirmou que planeja criar um "sistema único de segurança fluminense" para integrar forças municipais no policiamento extensivo. “Hoje você tem uma Secretaria de Polícia Civil e uma Secretaria de Polícia Militar que não se falam e uma Secretaria de Segurança que não manda nem na PM nem na Polícia Civil. Nós vamos retomar a Secretaria de Segurança Pública com o comando unificado, com o planejamento, com ações integradas, porque é assim que devem funcionar as polícias”, afirmou.
O ex-prefeito disse que vai abrir 20 mil vagas em presídios. Além disso, criticou a situação dos presídios do Estado. “Nós vamos fazer com que o sistema prisional funcione. Vamos abrir vagas para criar condições. Aliás, com um presídio de segurança máxima digno desse nome, não com o Starlink, como tinha no governo do PL.”
Ele prometeu ainda agir para asfixiar financeiramente agentes criminosos a partir de uma força-tarefa permanente, com participação do COAF, Receita Federal, órgãos do Estado e do Ministério Público.
Valor