O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que a sessão de terça-feira do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre investigar ou não o ministro Alexandre de Moraes expôs as fragilidades do tribunal.
"A votação era simples, era para saber se ia ou não abrir, que vote. Agora, o que você não pode é expor as fragilidades de um poder, o poder [Judiciário] está acima de qualquer membro do STF. Outra sessão discute outra pauta, mas essa era objetiva", disse o candidato.
Caiado evitou fazer críticas diretas ao presidente da corte, Edson Fachin, mas qualificou a condução da sessão pelo ministro como "questão de estilo". "Para você presidir um colegiado de iguais você precisa de mão forte para que não descambe para o lado que descambou", explicou. O candidato também disse que Fachin deveria ter rejeitado qualquer questão de ordem pedida pelos pares.
A sessão do STF foi encerrada com o placar parcial de 4 a 3 para manter o julgamento de Alexandre de Moraes de forma individual. Os ministros ainda não entraram no mérito do caso e julgaram parcialmente uma questão de ordem pedida por Gilmar Mendes para que o caso em debate fosse unificado com as suspeitas em relação a André Mendonça — que devem ser objeto de uma nova sessão na próxima semana. Votaram para manter os casos separados o presidente da Corte, Edson Fachin, e os ministros André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia. Já os ministros Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes votaram pelo adiamento, para que o caso seja julgado de forma conjunta com o pedido de investigação contra André Mendonça, no dia 23 de setembro. Questionado sobre o eleitor estar atento apenas aos desdobramentos da crise no STF e pouco interessado no pleito, Caiado recorreu a uma analogia médica. "A crise é boa parturiente, ela dá bons frutos. Esta crise está acontecendo exatamente no momento que vai fazer a população refletir sobre como vai ser a vida dela daqui para frente”, afirmou.
Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Valor