Candidatos ao governo do Rio de Janeiro: Eduardo Paes e Douglas Ruas Fotos: Manoella Mello/Globo Após ficar em segundo lugar no primeiro turno, o candidato ao governo do Rio, Eduardo Paes (PSD), afirmou que pretende se concentrar em temas do Estado fugindo da nacionalização da campanha. Ele atribuiu o resultado inesperado que colocou Douglas Ruas na frente, com 49,27% a 42,76%, ao fato de o rival ter colado sua imagem em Flávio Bolsonaro (PL). Douglas Ruas disse que vai esperar 'com tranquilidade' decisão do TSE sobre votos de Garotinho
Segundo Paes, Ruas utilizou a eleição nacional como uma “bengala” para se alavancar no Estado, reduto e berço eleitoral do bolsonarismo.
“Eu vou reiterar aqui algo que eu tenho dito desde o primeiro turno, mas tudo que o segundo turno permite um embate mais firme. O que nós estamos discutindo aqui é o Estado do Rio de Janeiro e os interesses do Estado do Rio de Janeiro. Não será o Flávio Bolsonaro e não será o Lula que vão governar o Estado do Rio de Janeiro”, disse Paes.
O candidato do PSD fez apenas um pronunciamento à imprensa, sem responder perguntas dos jornalistas. Paes não comentou sobre a situação dos votos em Anthony Garotinho (Republicanos) que estão sub judice aguardando recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Paes, que torcia pela anulação desses votos no candidato do Republicanos, agora depende do resultado contrário para seguir na disputa. Caso os votos sejam anulados pelo TSE, Douglas Ruas vence em primeiro turno.
O candidato do PSD fez ainda ataques a Ruas e prometeu um embate mais firme contra o candidato do PL no segundo turno.
“Nós estamos falando de um jovem político que ficou milionário fazendo política se utilizando da máquina pública, que representa a continuidade dos piores governos que o Rio já teve", afirmou.
Apontado como favorito pelas pesquisas de intenção de voto, o candidato do PSD foi superado por ampla margem por Ruas.
Apesar de toda articulação com prefeitos e da modulação da sua proximidade com Lula (PT) por conta da força do bolsonarismo no Estado, o resultado ficou muito abaixo do que o PSD projetava.
No diretório da coligação do PSD com o MDB onde foi realizado o evento de Paes, predominavam apoiadores do candidato Flávio Bolsonaro (PL). Apesar de Paes apoiar Lula (PT), sua vice, Jane Reis (MDB), é apoiadora de Flávio e estimulou o voto “bolsopaes” em Caxias, que é um reduto bolsonarista.
Apesar da decepção por Paes ter ficado atrás de Ruas durante toda apuração, o clima no local era de animação pelo desempenho de Flávio. Havia comida e chope liberado para os presentes.
Jane é irmã de Washington Reis (MDB), político mais influente do município que é o maior da Baixada Fluminense. Com sua força na capital já estabelecida, Paes focou sua estratégia de campanha com a Baixada como alvo estratégico. Ele conquistou ainda o apoio de 10 dos 13 prefeitos das cidades da região, entre eles Dudu Reina (PP), de Nova Iguaçu.
A articulação porém não gerou os efeitos esperados, e Paes perdeu para Ruas nos municípios da Baixada, inclusive em Caxias e Nova Iguaçu. Esta é a terceira disputa para o governo do ex-prefeito do Rio.
Valor