Todo mundo, com um mínimo de informação da história do mundo, quando vê listas de pessoas de esquerda que se propagaram pelo Brasil depois da derrota bolsonarista, as associa às estrelas que os judeus, homossexuais e outras minorias foram obrigadas a usar na Alemanha nazista. Eu associo a uma coisa muito mais singela, mas não menos perigosa: o hábito de criar listas para difamar pessoas que não se encaixam no padrão falsamente moral da maioria dos moradores de um lugar qualquer.
Quando vivia na pequena cidade de Minas Gerais em que nasci, nós jovens fomos vítimas de uma lista em que, pretensamente, constavam nomes de colegas que tinham feito um pacto de suicídio. É sempre a mesma coisa, um fato que é manipulado para deturpar seu verdadeiro motivo, vira como que um rastilho de pólvora ao propagar uma fofoca que engaja toda uma comunidade numa onda de indignação e medo.
No caso, um primeiro suicídio de uma pessoa jovem. É mais do que sabido que o suicida em potencial toma coragem quando depara com a notícia de um suicídio no mundo ao seu redor.
Naquele caso, o motivo era a falta de perspectiva de futuro que leva, muitas vezes, pessoas brilhantes e imaturas a deflagarem um movimento que impulsiona outros mais influenciáveis. E foi o que aconteceu com uma sequência de jovens se suicidando, até que me atingiu diretamente com a morte de um amigo querido.
Me lembro perfeitamente do horror que tomou conta de toda a turma, que nessa época a gente adorava andar em bando, ao passamos a noite em claro, ao redor da fogueira, num sítio fora da cidade. Medo, dúvida, choro e lamento.
Hoje em dia o cenário é outro, mas o fato é o mesmo. Só que tudo acontece nas redes.
E, quando aflora a crueldade incentivada por um candidato a presidente delinquente, surgem todas essas listas pavorosas para assombrar mais uma vez o nosso país. Xô, carniceiros, saiam fora do meu arrozal!
Vão se juntar ao exílio de seus novos líderes, para não serem aprisionados com o seu líder maior. Porque o verdadeiro mito está pela quarta vez na presidência.
Se fizeram essa lambança quando perderam, imagine o que estariam fazendo se tivessem vencido. Flávio estaria nos Estados Unidos não como um ladrão, mas como um chefe de estado disposto a entregar as terras raras de que eles tanto precisam pra controlar o seu quintal.
Viva o L de luta, de liberdade e de Lula! Porque a nossa vitória foi moral.
Brasil 247