Otton Solís defende que valores orientem relações da América Latina com China e EUA

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 — A América Latina deve superar a ideia de que precisa escolher entre a China e os Estados Unidos e construir suas relações internacionais com autonomia, benefícios concretos e compromisso com valores. Essa foi a posição defendida pelo economista e ex-candidato à presidência da Costa Rica Otton Solís Fallas, nesta segunda-feira (19), durante o IX Fórum de Diálogo de Civilizações entre a China e a América Latina e o Caribe, na Cidade do México.

Em sua intervenção, Solís destacou os benefícios da ascensão econômica chinesa para os países latino-americanos, alertou para os riscos de uma confrontação entre potências e propôs que a região avalie suas parcerias por critérios como promoção da paz, redução da pobreza, direitos humanos e enfrentamento das mudanças climáticas.

“A pergunta correta não é se Estados Unidos ou China”, afirmou, em tradução do espanhol. Para o economista, o debate deve considerar tanto as oportunidades oferecidas por cada parceiro quanto a disposição dos países latino-americanos de orientar suas decisões por princípios.

Prosperidade chinesa amplia oportunidades

Solís argumentou que o desenvolvimento da China gera mercados para produtos latino-americanos e contribui para reduzir o preço de tecnologias importantes para a transição energética.

“Uma China mais próspera significa mais mercados para os produtos de nossa região e do mundo”, declarou.

O economista citou painéis solares, equipamentos de energia eólica e carros elétricos como exemplos de produtos cujo acesso foi favorecido pela concorrência chinesa com fabricantes dos Estados Unidos e da Europa Ocidental. Em sua avaliação, essa competição beneficia os países compradores e amplia suas alternativas tecnológicas.

Solís também afirmou que a presença da China estimula as potências ocidentais a oferecer novas iniciativas de investimento e cooperação à América Latina.

Estudar a China sem copiar seu modelo

O economista defendeu que os países latino-americanos estudem a experiência chinesa de desenvolvimento, especialmente seus resultados econômicos e sociais, sem pressupor que ela possa ser reproduzida integralmente.

“Seria um erro acreditar que basta imitar o modelo chinês. Temos, sim, que estudá-lo”, afirmou, em tradução do espanhol.

Para Solís, a combinação entre iniciativa privada e atuação estatal oferece elementos relevantes para uma região que, em sua avaliação, consumiu muita energia em disputas entre modelos apresentados como extremos inconciliáveis.

O caso chinês, sustentou, demonstra a importância de examinar de forma pragmática as relações entre mercado, planejamento e políticas públicas, considerando as condições históricas de cada país.

Confrontação ameaça a autonomia regional

Solís advertiu que uma escalada do conflito entre China e Ocidente poderia pressionar os países latino-americanos a tomar partido, restringindo suas possibilidades de acesso a cooperação, financiamento e tecnologia.

Uma competição conduzida de maneira pacífica, por outro lado, permitiria à região escolher parceiros com maior liberdade, levando em conta preços, qualidade, assistência técnica e condições financeiras.

O economista também fez uma ressalva: um entendimento entre grandes potências não garante, por si só, atenção às necessidades do Sul Global. Por isso, a América Latina precisa formular seus próprios critérios e defender seus interesses.

Na avaliação de Solís, um mundo com alternativas de poder oferece mais possibilidades à região do que uma ordem unipolar. Aproveitar essas possibilidades exige atuação estratégica e capacidade de negociação.

Paz e combate à pobreza como critérios

Na parte final de sua intervenção, Solís propôs ir além de uma avaliação exclusivamente comercial das relações internacionais. Investimentos, mercados e crédito devem ser considerados, mas a aproximação com as potências também precisa levar em conta os valores que a América Latina deseja promover.

Entre os critérios, mencionou o compromisso com a paz, as políticas de combate à pobreza e à desigualdade, o respeito aos direitos humanos, a sustentabilidade e a ajuda humanitária.

Para o economista, os países da região podem estimular as potências a disputar sua amizade com base nesses compromissos. A decisão sobre parcerias envolve, assim, avaliar quem oferece melhores condições econômicas e quem mais contribui para os objetivos sociais e internacionais defendidos pelos latino-americanos.

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