Os donos do crime: Abelha deixou prisão pela porta da frente, integrou cúpula do CV e caiu em desgraça
Apesar de hoje ter um papel bem menor no Comando Vermelho, Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha, já foi um dos criminosos que mais influenciaram os rumos da facção no Rio. Em investigações conduzidas pela Polícia Civil, ele é apontado como um dos principais articuladores do contragolpe feito pelo CV na cidade, quando a facção passou a investir dinheiro, armas e soldados numa ofensiva para retomar territórios perdidos para as milícias ao longo dos anos.
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O projeto ganhou força após a saída de Abelha da prisão, em 27 de julho de 2021. Ele deixou o Presídio Vicente Piragibe, no Complexo de Gericinó, pela porta da frente, mesmo ainda tendo mandados de prisão em aberto e sendo considerado um criminoso de “altíssima periculosidade”.
Desde então, Abelha ascendeu à presidência do conselho maior do Comando Vermelho no Rio e foi destituído do poder. Mas continua chefiando o tráfico em áreas importantes do Rio, como o boêmio bairro da Lapa, onde há bocas de fumo a poucos metros de atrações que recebem milhares de turistas no Rio, como a Escadaria Selarón e os Arcos da Lapa.
Imagens de câmeras de segurança mostram que, na saída, Abelha apertou a mão do secretário responsável pelos presídios na época. O secretário chegou a ser preso, em investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal sobre tratativas de uma suposta trégua com chefes do CV. Foi uma crise que respingou na Secretaria de Administração Penitenciária, na Polícia Civil e no Tribunal de Justiça do Rio. Abelha teria tido a soltura facilitada, mesmo com o mandado de prisão pendente.
O feito foi visto com bons olhos pelo Comando Vermelho. Apontado como articulador e com grande capacidade de convencimento, o traficante foi incluído no conselho do grupo até virar um “presidente” da cúpula do CV no Rio.
Era ele quem dava as cartas e ditava os rumos da facção. De acordo com as investigações da polícia, ele teve participação essencial na elaboração dos planos expansionistas do grupo, que começaram entre 2021 e 2022, e ainda influenciam guerras.
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Com sete mandados de prisão em aberto, Abelha está na lista dos criminosos mais perigosos e procurados do Brasil, divulgada pelo governo federal. Apesar disso, hoje ele tem um papel menor no Comando Vermelho do que teve num passado recente.
A polícia diz que o motivo do afastamento foram discordâncias sobre decisões tomadas por ele, incluindo execuções e expulsões de outros criminosos que desagradaram a cúpula. Na polícia, há informações de que ele segue fazendo parte do conselho permanente da facção. Mas não chega aos pés do poder que já teve.
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Apesar disso, ele segue controlando áreas do tráfico. A mais importante delas fica na Lapa. Junto com Anderson Venâncio Nobre, o Piu, eles também comando morros desta região aqui de Santa Teresa e do Rio Comprido.
Em março de 2026, uma operação das polícias Civil e Militar mirou os negócios dos dois na Lapa. No asfalto, o tráfico ocupa casarões. No feirão da droga, tem até crack. Uma das principais bocas foi encontrada a 380 metros do Quartel-General da PM e 670 metros da sede da Polícia Civil e da 5ª DP, delegacia responsável pelos registros de ocorrência na região.
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Além disso, foi descoberto, aos pés da famosa Escadaria Selarón, um mural com o rosto do filho de Abelha pintado. É que Abelha teve seu herdeiro no tráfico. Filho dele, Pablo Carlos Rodrigues Quintanilha, o PB, chegou a ser acusado pela polícia se ser o chefe do tráfico no bairro. Comandou também o “bonde dos crias”, formado majoritariamente por menores de idade recrutados para atuar na linha de frente do tráfico, vendendo cocaína, maconha e loló. PB foi morto num confronto com a polícia, no Complexo da Penha, em 2019. O mural dele foi apagado pela prefeitura do Rio.
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