A histórica vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo, 25, está longe de encerrar os desafios que ele enfrentará no novo mandato. A partir do ano que vem, ele vai encarar um Congresso Nacional ainda mais conservador, com pouca renovação efetiva e uma direita fortalecida nas duas Casas.
Sem maioria própria na Câmara ou no Senado, Lula precisará reconstruir sua capacidade de negociação com parlamentares que, ao longo do terceiro mandato do petista, impuseram derrotas importantes ao Planalto. O PL elegeu as maiores bancadas da Câmara e do Senado, e, contando com outros partidos, como PP e Republicanos, a direita terá quase 60% das cadeiras em ambas as Casas.
Na eleição para o Legislativo, o percentual de renovação foi o menor desde a redemocratização, e a maioria dos recém-chegados pende para o campo oposto ao do presidente Lula. O tamanho significativo da oposição vai tornar ainda mais difícil aprovar projetos e manter decisões no próximo mandato.
De 2023 a 2025, o Congresso derrubou quase metade dos vetos presidenciais analisados: entre os mais significativos, estão dispositivos do marco temporal para a demarcação de terras indígenas e da lei do licenciamento ambiental. Nenhum revés, no entanto, foi tão simbólico quanto a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF – a primeira vez que isso aconteceu em 132 anos.
Com ao menos quatro novas vagas na Corte previstas nos próximos anos, Lula terá de encontrar nomes capazes de obter o aval dos senadores — tarefa que poderá ser ainda mais difícil diante da força da direita na Casa. Terminada esta eleição, o presidente ainda vai enfrentar outra disputa que deve ser aguerrida: a pelos comandos da Câmara e do Senado.
Em fevereiro, os parlamentares elegerão os novos presidentes das duas Casas, cargos que controlam a pauta legislativa e têm influência direta sobre o ritmo de tramitação das propostas do governo. Hugo Motta (Republicanos-PB), na Câmara, e Davi Alcolumbre (União-AP), no Senado, buscam a reeleição, mas, até o momento, não parecem ter o caminho livre.
Continua após a publicidade Motta já recebeu o apoio de dez partidos à sua recondução (Republicanos, União-PP, PSD, MDB, Podemos, PSDB, Cidadania, Solidariedade e PRD).
Embora não tenha se alinhado automaticamente ao governo desde que assumiu a presidência da Casa, em 2025, o paraibano apoiou Lula no primeiro turno, e os partidos de esquerda devem formalizar apoio à sua reeleição. Com essa adesão, Motta deve reunir votos suficientes para permanecer no cargo, mas ainda terá de lidar com a oposição do PL, dono da maior bancada da Casa.
Alcolumbre enfrenta um cenário ainda mais hostil. Apesar de ter tido papel central nas maiores derrotas para o governo no Legislativo, ele não avançou com pedidos de abertura de CPIs e impeachments importantes para a oposição, que quer destroná-lo.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, já afirmou que a sigla não apoiará a reeleição do amapaense e pretende lançar um candidato próprio, que pode ser Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Continua após a publicidade
O cenário mostra que, apesar de ter conseguido um feito histórico, a reeleição deste domingo foi apenas a primeira batalha. A eleição para as presidências da Câmara e do Senado vai testar a temperatura de uma briga que deve marcar todo o seu novo mandato: a de governar sem maioria e negociar com um Legislativo que deve seguir ainda mais independente.
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