Os acertos e os erros que o Iron Maiden levou a Curitiba na turnê de 50 anos

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Fonte da notícia: Whiplash Whiplash

Por Gustavo MaiatoPostado em 02 de novembro de 2026 Quem chegou cedo à Arena da Baixada na noite de quarta-feira, 28 de outubro, viu um desfile à parte.

Soldados britânicos de casaca vermelha, inspirados em "The Trooper", e faraós saídos da capa de "Powerslave" circulavam pela pista e pelas arquibancadas. Era a noite do Iron Maiden em Curitiba, com a "Run For Your Lives World Tour", turnê que comemora os 50 anos da banda.

O show na capital paranaense encerrou a passagem do grupo pelo Brasil, depois de duas noites em São Paulo, nos dias 25 e 27. No palco, Bruce Dickinson comanda a voz, Steve Harris o baixo, e Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers dividem as guitarras.

A banda soa afiada, com o entrosamento de quem roda o mundo com o mesmo espetáculo há mais de um ano. Na bateria, Simon Dawson ocupa o posto de Nicko McBrain, aposentado das turnês desde o fim de 2024, e não compromete.

Ele introduz viradas diferentes e dá mais presença à bateria em algumas músicas, mudanças que soam estranhas em canções consagradas há décadas. Ainda assim, não chega a imprimir uma marca própria nem a superar o antecessor.

O maior acerto da noite está no repertório: nenhuma faixa posterior a "Fear of the Dark", de 1992, entra na lista. O recorte abre espaço para a fase de Paul Di'Anno, primeiro vocalista do grupo, morto em 2024, com "Murders in the Rue Morgue" na abertura, emendada em "Wrathchild" e "Killers", e "Phantom of the Opera" logo depois.

Os clássicos também estão lá. "The Number of the Beast", "Run to the Hills" e "Hallowed Be Thy Name" levantam a Arena, e o bis reúne "Aces High", "Fear of the Dark" e "Wasted Years", que fecha a noite em coro.

A produção é outro ponto alto. No começo do show, o telão no fundo do palco recria a Londres do fim dos anos 1970 e começo dos 1980, cidade onde a banda nasceu.

A câmera conduz o público pelas ruelas do bairro como numa caminhada, num efeito tão imersivo que lembra uma atração de parque da Disney. É uma forma eficiente de contar a origem do Iron Maiden sem que ninguém precise dizer uma palavra ao microfone.

Nem tudo, porém, mantém o mesmo pique. "Infinite Dreams", do álbum "Seventh Son of a Seventh Son", é uma raridade que agrada ao fã mais dedicado, mas esfria a plateia e vira a clássica pausa para buscar água ou ir ao banheiro.

"Rime of the Ancient Mariner" sofre do mesmo mal: funciona muito bem no estúdio, mas ao vivo a longa passagem do meio, conduzida pelo baixo de Steve Harris, derruba a energia. Talvez só um medley resolvesse, mas são tropeços pequenos diante de uma banda que, aos 50 anos, ainda faz um estádio inteiro cantar.

Antes da Donzela, o Alter Bridge abriu a noite com Myles Kennedy e Mark Tremonti mostrando entrosamento de sobra. Aconteceu algo raro: o público sentiu falta de um show de abertura mais longo, quando o comum é torcer para que a banda de apoio termine logo.

O set curto teve "Metalingus" e "Blackbird", e o visual também chamou atenção, com Kennedy trocando de roupa uma vez durante a apresentação. "Murders in the Rue Morgue""Wrathchild""Killers""Phantom of the Opera""The Number of the Beast""Infinite Dreams""Powerslave""2 Minutes to Midnight""Rime of the Ancient Mariner""Run to the Hills""Seventh Son of a Seventh Son""The Trooper""Hallowed Be Thy Name""Iron Maiden"Bis:"Aces High""Fear of the Dark""Wasted Years"

Publicação Original Whiplash whiplash.net
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