Por Gustavo MaiatoPostado em 01 de novembro de 2026 Com o Halloween se aproximando, o site Loudwire publicou, em 19 de outubro, uma seleção dos 11 álbuns conceituais mais assustadores do metal.
Assinada por Jordan Blum, a lista não segue ordem de classificação e atravessa quase quatro décadas do gênero, de um clássico de 1987 a lançamentos recentes do underground extremo. Para entrar na relação, não bastava ter um enredo perturbador.
Blum explica que priorizou discos que assustam tanto pela história quanto pelo som. Por isso, ficaram de fora obras-primas como "Operation: Mindcrime", do Queensryche, e "Metropolis Pt.
2: Scenes From a Memory", do Dream Theater. Até o Ice Nine Kills, referência quando o assunto é terror no metal, foi descartado por tratar o tema de forma mais divertida do que amedrontadora.
Entre os veteranos, King Diamond aparece com "Abigail" (1987), apontado pelo autor como o exemplo clássico de álbum conceitual de terror no metal. O disco acompanha um casal do século 19 que se muda para uma mansão assombrada e enfrenta as consequências de um assassinato, de uma traição e do renascimento de uma menina natimorta.
O Opeth marca presença com "My Arms, Your Hearse" (1998), sobre um espírito preso no limbo que persegue as pessoas que amava. Segundo a Loudwire, ele assusta mais do que o sucessor, "Still Life" (1999), embora o sucessor seja superior como obra.
O black metal sinfônico garante dois lugares na lista. "In Sorte Diaboli" (2007), primeiro trabalho conceitual do Dimmu Borgir, se passa na Europa medieval e narra a trajetória de um assistente de padre que se volta para as trevas até se tornar, na prática, o anticristo.
Já "Where the Corpses Sink Forever" (2012), do Carach Angren, troca a ficção pelos horrores das guerras do século 20. O prelúdio narra a história de um soldado obrigado a fuzilar prisioneiros que, na verdade, eram demônios e o prendem num loop temporal de sofrimento eterno.
Parte da seleção extrai o medo de histórias reais. O Cradle of Filth entra com "Cruelty and the Beast" (1998), dedicado à condessa húngara Elizabeth Báthory, do século 16, acusada de torturar e matar centenas de mulheres.
O Macabre foi lembrado por "Dahmer" (2000), que percorre em ordem cronológica a vida do serial killer Jeffrey Dahmer. "Dreaming Neon Black" (1999), do Nevermore, nasceu de sonhos do vocalista Warrel Dane com uma ex-namorada que desapareceu depois de entrar para uma seita religiosa.
A ala mais experimental tem os ingleses do The Axis of Perdition, banda que se orgulha de "deixar seus ouvidos tristes". O grupo aparece com "Deleted Scenes from the Transition Hospital" (2005), obra inspirada em Silent Hill sobre loucura, abandono e fantasmas, que o autor compara a um teste de resistência à tortura psicológica.
Os noruegueses do Manii foram incluídos com "Innerst i Mørket" (2023), uma faixa única de 37 minutos que funciona mais como declaração temática do que como narrativa ficcional. Completam a lista o projeto solo Methwitch, de Cameron McBride, com "Indwell" (2020), mistura de industrial, death metal e grindcore sobre a possessão por forças malignas, e o Hands of Despair, com "The Crimson Boughs and Other Short Tales" (2021).
O disco reúne contos macabros independentes embalados em black e death metal progressivo. Sobre a faixa "Hécatombe", Blum deixa um recado aos leitores: é melhor não ouvi-la tarde da noite com as luzes apagadas.
Whiplash