Por que o rock nacional demorou tanto a reconhecer o verdadeiro tamanho de Pitty

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Fonte da notícia: Whiplash Whiplash

Por Gustavo MaiatoPostado em 06 de novembro de 2026 Quando Pitty apareceu em 2003, não faltou quem enxergasse nela só uma tentativa de fabricar uma Avril Lavigne brasileira.

Mais de duas décadas depois, o youtuber Júlio Ettore resolveu acertar as contas com essa ideia. Em vídeo publicado em 19 de outubro em seu canal, ele repassa a carreira da cantora baiana, do underground de Salvador ao sexto álbum de estúdio, que encerra um jejum de sete anos sem disco solo de inéditas.

"Eu pensei isso e lembro muito bem: eu e meus amigos que ouvíamos rock pesado boicotamos, cara. Eram letras adolescentes demais.

Tempos depois, eu estaria ouvindo o segundo disco dela sem parar e pensando que tinha que ter prestado mais atenção. Pensamentos idiotas e por vezes machistas como esse fizeram com que as pessoas demorassem para reconhecer o verdadeiro tamanho que a Pitty tem no rock nacional."

Nascida Priscilla Novaes Leone em 1977, em Salvador, Pitty trocou cedo a lambada por Faith No More e pelo "Black Album" do Metallica. Foi vocalista da banda de hardcore Inkoma, que chegou à MTV em 1998 e lançou o CD "Influir" em 2000, sem decolar.

Segundo Ettore, a cena pesada da Bahia não tinha espaço na mídia, presa ao estereótipo do axé. A virada veio com o produtor Rafael Ramos, que a levou para a Deckdisc e assinou todos os seus discos.

Lançado em abril de 2003, "Admirável Chip Novo" teve "Máscara" como primeiro single por insistência da cantora, que não queria ficar presa a uma balada como aconteceu com o Los Hermanos e "Anna Júlia". O estouro veio em 2004 com "Equalize", que furou até a resistência da rádio Jovem Pan.

"Anacrônico" (2005) passou das 100 mil cópias, e "Chiaroscuro" (2009) emplacou "Me Adora". O youtuber também lembra a fase difícil de 2012 e 2013, marcada por poucos shows, pela morte do guitarrista Peu Sousa e por uma internação na UTI.

Sobre o novo trabalho, Ettore conta que o disco nasceu de dois anos de terapia e trata de temas que Pitty nunca tinha conseguido abordar, como a relação complicada com a mãe, uma amizade falsa e noites à procura de sexo, além de recados que parecem endereçados a Daniel Weksler, de quem se separou em 2025.

O som circula entre o metal e o hardcore, com forte pegada de R&B. "A Pitty segue fazendo rock and roll, basicamente.

E nesse disco chega muito perto dos seus melhores momentos, mas o melhor é que ela não está tentando se imitar", avaliou.

Publicação Original Whiplash whiplash.net
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