A operadora francesa Orange lançou nesta quarta-feira, 4 de novembro de 2026, na França, um sistema que exibe na tela do celular o nome e o número de empresas que ligam para seus clientes. O serviço, batizado de Branded Call, não exige que o usuário tenha o número salvo na agenda e funciona em qualquer smartphone, sem aplicativo e sem assinatura, segundo o portal Mobiletime.
A identificação só aparece quando a operadora confirma que o número de origem pertence mesmo àquela empresa. O sistema se apoia no Mecanismo de Autenticação de Números, o MAN, adotado na França desde 2024 para barrar a falsificação de chamadas.
A novidade não está na autenticação, que já é rotina no país. Está em levar a verificação até a tela, com o nome e a reputação da empresa no mesmo pacote.
O cliente da Orange não paga pelo recurso. As empresas que querem ser identificadas é que pagam, embora a operadora não tenha detalhado o modelo de cobrança.
A verificação por trás do nome na tela Além de exibir o nome, a Orange faz uma verificação aprofundada da identidade e da reputação das empresas que contratam o serviço, segundo a própria operadora.
O objetivo declarado é reduzir o risco de fraude e impedir que criminosos se passem por consultores bancários ou por centrais de atendimento. O alvo principal é o golpe do falso funcionário de banco.
O criminoso falsifica o número de uma instituição conhecida, a tela mostra o telefone verdadeiro do banco e a vítima não tem como saber, pelo aparelho, que do outro lado está um golpista. O recurso foi testado por 11 empresas, entre elas Ipsos, Mediametrie, Roole, Cocoon e April, em casos de pesquisa, suporte técnico e recrutamento.
A operadora contabiliza mais de 2 milhões de chamadas no período de testes. Amelia Newsom-Davis, diretora de pagamentos, mensagem e identidade da Orange, afirma que os testes tiveram “uma taxa de resposta multiplicada por até dois”.
O número interessa às empresas que hoje enfrentam a desconfiança do cliente diante de qualquer chamada desconhecida. Como o número falsificado é barrado
O MAN nasceu da Lei Naegelen e é supervisionado pela Autoridade Reguladora das Comunicações Eletrônicas, dos Correios e da Distribuição da Imprensa, a ARCEP. O setor de telecomunicações francês o adotou em 2024, dois anos antes de o serviço da Orange chegar ao mercado.
O sistema usa um padrão criptográfico internacional de autenticação de chamadas, o mesmo que a Anatel adotou no Brasil. A operadora de quem liga verifica se o cliente tem autorização para usar aquele número e assina a chamada com um certificado oficial, por meio da Base de Certificados das Operadoras.
Do outro lado, a operadora de destino confere a assinatura e aceita ou rejeita a autenticidade da ligação. A verificação não depende do aparelho nem de o usuário instalar um aplicativo.
A solução francesa é comercializada por Orange Business, Odigo e Manifone. O MAN também foi desenhado para conter o telemarketing abusivo e as chamadas indesejadas.
O que o Brasil já tem e o que falta No Brasil, a Anatel opera um sistema equivalente de verificação de origem, o Origem Verificada.
Em agosto de 2026, o serviço autenticou 6 bilhões de ligações por mês, cerca de 30% do tráfego nacional. O Origem Verificada confirma a origem da chamada.
A exibição do nome da empresa na tela, que a Orange estreia na França, é uma camada comercial que depende de as empresas pagarem para serem identificadas. A escala do teste francês dá a medida do esforço.
Duas milhões de chamadas em 11 empresas é uma amostra pequena diante dos 6 bilhões de ligações que o sistema brasileiro autentica a cada mês. O patamar brasileiro mede o tamanho do desafio.
Sete em cada dez ligações mensais no país ficam fora da verificação de origem, o que mantém aberto o espaço para o criminoso que falsifica o número. A Orange não divulgou o preço cobrado das empresas nem o alcance do serviço além dos clientes móveis franceses.
Para o cliente, o ganho imediato é saber, antes de atender, se quem chama é mesmo a empresa que diz ser. A dúvida que hoje trava o atendimento de chamadas desconhecidas some quando o nome aparece na tela.
A proteção, porém, só alcança a chamada cujo número passa pela verificação. Fora dela, o telefone que aparece na tela continua sendo apenas o número que o autor da chamada escolheu mostrar.
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