Homem foi preso suspeito de operar esquema do CVDivulgação / Pcerj Um homem apontado como operador financeiro do Comando Vermelho (CV), suspeito de participar de um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 126 milhões do tráfico de drogas, foi preso após operação realizada por Policiais civis da 57ª DP (Nilópolis),O suspeito foi localizado e capturado na própria casa, em Nilópolis, na Baixada Fluminense. Segundo as investigações, ele é um dos responsáveis por participar de uma rede responsável por ocultar os recursos obtidos com o comércio ilegal de entorpecentes em comunidades comandadas pelo Comando Verlho no Rio de Janeiro e no Amazonas.Como funcionava o esquemaSuspeito foi encontrado dentro da própria casaDivulgação / Pcerj De acordo com a Polícia Civil, o investigado utilizava depósitos fracionados e outros mecanismos de ocultação de patrimônio para lavar o dinheiro tanto para si, quanto para transferir para a facção criminosa.Ao todo, 26 pessoas foram denunciadas por suspeita de participação no esquema, segundo as apurações. Suspeito possui histórico de prisõesSegundo a Polícia Civil, o homem preso em Nilópolis, que não teve o seu nome divulgado, já possui um histórico de condenações por tráfico de drogas no Paraná e registros de fuga do sistema penitenciário.Após a captura, ele foi encaminhado para a 57ª DP, onde os policiais cumpriram o mandado de prisão, e agora segue à disposição da justiça onde irá responder pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação para o tráfico. Da Ditadura ao império do tráfico: a origem do Comando VermelhoNa década de 1970, em plena Ditadura Militar, o Brasil assistiu ao surgimento de uma articulação que daria origem a uma das mais conhecidas facções criminosas do país. No Instituto Penal Cândido Mendes, em Ilha Grande, no Rio de Janeiro, presos políticos foram colocados na mesma ala que detentos condenados por crimes comuns. Muitos dos militantes haviam sido presos por participação em assaltos a bancos, prática recorrente entre grupos que buscavam financiar a resistência ao regime.A convivência entre os dois grupos alterou a dinâmica interna do presídio. Enquanto parte dos presos comuns tinha baixa escolaridade e pouco conhecimento sobre direitos e organização coletiva, os presos políticos apresentavam maior grau de instrução e experiência em articulação. Com o tempo, passaram a intermediar reivindicações e negociações por melhores condições carcerárias, contribuindo para a formação de uma estrutura organizada dentro da unidade.Dessa articulação nasceu o grupo que, inicialmente, se chamou Falange da Segurança Nacional. O nome foi posteriormente alterado para Falange Vermelha e, mais tarde, consolidado como Comando Vermelho.Com a promulgação da Lei da Anistia, em 1979, muitos presos políticos foram libertados. Segundo pesquisadores, a saída dessas lideranças enfraqueceu a pauta por direitos e justiça social dentro das prisões. Na década de 1980, diante da precariedade do sistema prisional e da ausência de melhorias, detentos passaram a planejar fugas em massa. Mais de cem presos conseguiram escapar de unidades prisionais no período. Após as fugas, foi registrada uma nova onda de assaltos a bancos. Com os recursos obtidos, o grupo ampliou sua atuação e passou a investir no tráfico de cocaína.O mercado do tráfico de drogas já era disputado por diferentes grupos criminosos quando as rivalidades se i ntensificaram e as disputas por território se tornaram mais violentas. Nesse contexto, aumentou significativamente a demanda por armas de fogo, o que impulsionou o comércio ilegal de armamentos. Investigações apontaram, inclusive, a participação de policiais no desvio de armas e fuzis das forças de segurança para abastecer o crime organizado. Em resposta ao avanço das facções, as corporações policiais também ampliaram seu poder bélico. O resultado foi uma escalada nos confrontos armados e o aumento expressivo dos índices de violência no Rio de Janeiro ao longo da década de 1990.Já no início dos anos 2000, em uma tentativa de enfraquecer o grupo, o governo do Rio de Janeiro adotou a estratégia de transferir lideranças presas para unidades prisionais em outros estados. A medida, no entanto, teve efeito contrário ao esperado. A presença desses chefes fora do estado acabou contribuindo para a expansão da facção para novas regiões, fortalecendo sua articulação nacional e consolidando sua posição como uma das organizações criminosas mais influentes do Rio de Janeiro. Segundo pesquisas recentes, o Comando Vermelho tem atuação em 26 estados brasileiros.
Operador do CV é preso no Rio suspeito de lavar R$ 126 milhões
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