Operação contra fraude mira grupo que tentou criar dívida de R$ 900 milhões contra espólio do fundador da Unip/Objetivo
O Ministério Público e a Polícia Civil deflagraram, nesta quinta-feira (31), uma operação contra um grupo suspeito de tentar aplicar um golpe de quase R$ 900 milhões contra o espólio do empresário João Carlos Di Genio, fundador do grupo educacional Unip/Objetivo. Segundo as investigações, os envolvidos teriam montado uma “fábrica de documentos falsos” e utilizado uma câmara arbitral de fachada para simular a existência de dívidas milionárias inexistentes.
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A trama começou em agosto de 2024, quando a empresa Colonizadora Planalto Paulista Ltda enviou uma notificação extrajudicial à inventariante Sandra Rejane Gomes Miessa, alegando um crédito de R$ 635 milhões. Como suposta comprovação, foi apresentado um contrato de compra e venda de 448 imóveis em Piraju (SP), que teria sido assinado por Di Genio em novembro de 2021 — apenas três meses antes de sua morte.
Laudos periciais, no entanto, apontaram que as assinaturas de Di Genio e de seu procurador, Oswaldo Pereira Barbosa, foram falsificadas por meio de técnicas de decalque e montagem. Para reforçar a fraude, o grupo ainda utilizou uma nota promissória adulterada, com data retroativa a 2017.
Após a tentativa frustrada de cobrança extrajudicial, os investigados recorreram à chamada Fórum de Negócios e Finanças Internacionais e Nacionais por Arbitragem e Mediação Ltda (FONAMSP), apontada como uma entidade de fachada ligada ao investigado Wagner Rossi Silva.
De acordo com o Ministério Público, o grupo simulou um processo arbitral, conduzido pela suposta juíza Aline Cordeiro de Oliveira Boaventura, que resultou em uma sentença proferida à revelia do espólio. Para impedir que a família tivesse conhecimento do caso, os suspeitos chegaram a falsificar a assinatura de um porteiro, simulando o recebimento de intimações. Com a atualização dos valores, a dívida fictícia foi elevada para R$ 845.873.009,65.
A Justiça decretou a prisão temporária de nove pessoas e expediu 15 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Guarulhos, Barueri, Jandira, Carapicuíba e Santo André. Entre os principais alvos estão Anani Candido de Lara e Luiz Teixeira da Silva Junior, apontados como sócios da Colonizadora Planalto Paulista e mentores do esquema.
Além das prisões, o juiz Paulo Fernando Deroma De Mello determinou o sequestro e bloqueio de bens e ativos financeiros dos investigados e das empresas envolvidas, até o limite de R$ 85 milhões — equivalente a 10% do valor estimado da fraude.
A decisão também prevê a suspensão imediata das atividades econômicas da Colonizadora Planalto Paulista e da FONAMSP, consideradas centrais para a prática criminosa. Segundo as autoridades, a medida busca interromper o uso abusivo de instrumentos judiciais e evitar a destruição de provas digitais armazenadas em nuvem.
As defesas dos citados não foram localizadas até a última atualização desta reportagem.
