OpenAI promete proteger conta de luz de moradores para conter rejeição a data centers

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A OpenAI lançou nesta quinta-feira (5) uma ofensiva para reduzir a rejeição aos data centers nos Estados Unidos, segundo uma reportagem da Reuters. A iniciativa foi apresentada depois de candidatos contrários à expansão dessas instalações vencerem eleições importantes e de empresas ligadas à infraestrutura da inteligência artificial sofrerem fortes quedas nas bolsas.

No pacote divulgado pela companhia, a criadora do ChatGPT promete pagar a energia consumida e a infraestrutura necessária para abastecer os futuros campi que possuir e operar. Também prevê garantias financeiras para projetos atrasados, reduzidos ou cancelados, além da divulgação do consumo de água e eletricidade e de limites ao uso de acordos de confidencialidade com autoridades públicas.

A proposta vinha sendo preparada desde agosto, de acordo com a Reuters. Sua elaboração antecede, portanto, as eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3).

A divulgação dois dias depois da votação colocou o plano no centro da reação empresarial à resistência que chegou às urnas. Das 41 consultas relacionadas a data centers realizadas nesta semana, 40 terminaram contra os projetos ou a favor de maiores restrições, segundo um levantamento da Ballotpedia citado pela Reuters.

Democratas também venceram disputas pelos governos do Texas, da Geórgia e de Ohio com propostas de suspender novas licenças ou elevar as exigências para a construção dessas instalações. A pressão atinge uma estrutura indispensável ao crescimento da OpenAI.

A companhia afirma que precisa ampliar rapidamente sua capacidade de processamento para treinar modelos e atender à demanda por produtos como ChatGPT e Codex. O programa Stargate estabeleceu a meta de assegurar 10 gigawatts de infraestrutura nos Estados Unidos até 2029.

Em abril, a OpenAI informou ter superado esse volume em capacidade contratada ou planejada, com mais de 3 gigawatts acrescentados nos 90 dias anteriores. A empresa também anunciou que procurava novos locais para continuar a expansão.

Boa parte dessa infraestrutura pertence a parceiros. A Reuters destaca que empresas como a Oracle constroem e controlam instalações cuja capacidade é dedicada à OpenAI.

Isso expõe a startup a atrasos em obras, licenças, conexões elétricas e financiamentos, mesmo quando ela não aparece como proprietária do empreendimento. Queda começou nas empresas que constroem a IA

O mercado começou a precificar esse risco na quarta-feira, primeiro pregão depois das eleições. Enquanto o S&P 500 subiu 1,6%, ações diretamente ligadas à expansão dos data centers despencaram.

A CoreWeave caiu 9,5%, a Applied Digital perdeu 8,8% e a Cipher Digital recuou 21%. Entre as empresas de energia e equipamentos, Vistra caiu 15,4%, GE Vernova perdeu 11,5% e Constellation Energy recuou 9,2%, segundo a Reuters.

Amazon e Microsoft avançaram 6%, enquanto a Alphabet ganhou 4,6%. Analistas ouvidos pela agência avaliaram que as gigantes poderiam gastar menos em novas obras e se beneficiar da valorização da capacidade que já controlam.

A pressão se espalhou na quinta-feira. O Nasdaq caiu 5,5% e perdeu US$ 2,5 trilhões em valor de mercado.

A Nvidia recuou 9,3%, a AMD despencou 17% e empresas de infraestrutura voltaram a sofrer quedas de dois dígitos. As restrições potenciais atingem uma parcela relevante da expansão planejada.

Estados nos quais os democratas podem impor novas regras concentram cerca de 45% da futura capacidade americana de data centers, de acordo com uma estimativa do Goldman Sachs publicada pela Reuters. Apenas o Texas representa aproximadamente 25%.

Na lista de companhias expostas apresentada pela agência aparecem Oracle e CoreWeave, fornecedoras de capacidade computacional para empresas de IA. Analistas do UBS estimam que novas restrições podem afetar 30% da expansão prevista para 2028.

Para a OpenAI, o efeito pode chegar por meio dos parceiros que precisam financiar e construir os campi. Sua principal instalação, em Abilene, no Texas, funciona na nuvem da Oracle e utiliza chips da Nvidia.

A empresa também contratou um campus de até 8 gigawatts desenvolvido pela SB Energy em Ohio. A promessa de não repassar a conta

O pacto com as comunidades concentra-se nas questões que passaram a alimentar a oposição aos data centers: tarifa de energia, consumo de água, ruído, empregos e sigilo nas negociações com governos. Nos futuros campi que forem simultaneamente de propriedade da OpenAI e operados por ela, a empresa afirma que pagará o custo total da eletricidade e dos investimentos necessários para conectá-los à rede.

Antes do início das grandes obras, a OpenAI deverá apresentar garantias financeiras para proteger os demais consumidores caso um projeto seja adiado, reduzido ou cancelado. A medida procura evitar que concessionárias repassem às famílias o custo de subestações, linhas de transmissão e novas fontes de geração construídas para instalações que não se concretizem como previsto.

A companhia também promete informar com antecedência às concessionárias quanta energia pretende consumir e quando precisará dela. Os campi poderão reduzir temporariamente a demanda durante períodos de pressão sobre o sistema elétrico.

No projeto planejado para o condado de Effingham, na Geórgia, o contrato com a Georgia Power permite reduzir em até mil megawatts a energia entregue ao data center em momentos de demanda elevada, segundo o anúncio da OpenAI. Cada instalação própria deverá publicar dados sobre consumo de água e eletricidade.

A empresa promete ainda divulgar os planos de construção, apresentar seus efeitos esperados sobre trânsito, iluminação e ruído e contratar estudos acústicos independentes antes do início das operações e anualmente depois disso. A OpenAI afirma que deixará de exigir acordos de confidencialidade de autoridades públicas como condição para discutir novos projetos.

O pacto permite manter sob sigilo informações de segurança, segredos comerciais e dados protegidos sobre a operação. A empresa também propõe que essas exigências se transformem em regras para o setor.

O documento pede que órgãos estaduais obriguem grandes consumidores de energia a pagar pela infraestrutura adicional, que incentivos fiscais sejam divulgados e associados a metas verificáveis e que governos possam recuperar benefícios quando um desenvolvedor não cumprir o prometido.

O financiamento já sentia a pressão A mudança política encontrou uma cadeia de infraestrutura que já enfrentava atrasos e maior resistência dos investidores a financiar novos projetos.

Em setembro, dificuldades num campus construído pela Blue Owl no Novo México para atender à OpenAI provocaram apreensão entre bancos e gestores. A Oracle acionou uma cláusula de força maior após atrasos na obtenção de energia para o empreendimento, segundo uma apuração da Reuters.

A Reuters informou que o cronograma foi adiado em um ano. A Blue Owl tem cerca de US$ 3 bilhões investidos no projeto e recebe uma remuneração menor durante a construção, que aumenta quando o data center começa a operar.

A repercussão alcançou a SB Energy, responsável por desenvolver o campus contratado pela OpenAI em Ohio. De acordo com a mesma apuração, a empresa adiou sua abertura de capital enquanto investidores e bancos reavaliavam os riscos financeiros da infraestrutura de IA.

O projeto em Ohio prevê 35 mil empregos durante seis anos de obras e 2,5 mil vagas permanentes. A primeira parcela, de 800 megawatts, deve ficar disponível em 2028.

As etapas seguintes exigem novas usinas, linhas de transmissão, licenças e financiamento. No anúncio do empreendimento, a OpenAI informa que começará a pagar apenas quando a capacidade estiver pronta para locação.

A SB Energy construirá, controlará e operará o campus durante um contrato de 20 anos. A Nvidia investirá US$ 1,5 bilhão na desenvolvedora e oferecerá apoio de crédito para a fase inicial.

A Oracle também ampliou sua dívida para financiar instalações destinadas à OpenAI e a outros clientes. Uma análise da Reuters Breakingviews informa que a empresa anunciou uma captação de US$ 20 bilhões, dividida entre títulos e ações, depois de prometer limitar a esse valor suas novas necessidades de financiamento até 2030.

Analistas consultados pela Reuters projetam fluxo de caixa livre negativo de US$ 58 bilhões para a Oracle no atual exercício fiscal e no seguinte. O custo crescente das obras e a demora para transformar os contratos em receita colocaram a companhia no centro das dúvidas sobre quem financiará a expansão da IA.

A ofensiva da OpenAI procura atuar no outro lado dessa equação. Ao prometer que moradores não pagarão pela energia, que autoridades terão acesso a mais informações e que projetos deixarão garantias financeiras, a companhia tenta reduzir o risco político que agora se soma às dificuldades de financiamento e execução.

“Precisamos fazer um trabalho melhor para explicar às pessoas, às comunidades locais, por que os data centers podem ser benéficos para elas”, afirmou o presidente da OpenAI, Greg Brockman, segundo a reportagem da Reuters publicada um dia depois das eleições. Mais Lidas

Publicação Original Epoca Negócios epocanegocios.globo.com
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