ONU se prepara para cúpula com clima, Ucrânia, Irã, Gaza e IA entre principais temas

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

As crises no Oriente Médio, a guerra na Ucrânia e o debate sobre os perigos da inteligência artificial dominarão a cúpula anual da ONU na próxima semana, em Nova York, onde se espera a presença de cerca de 150 chefes de Estado e líderes. Esta reunião, que começa na terça-feira, será a última do gênero para o secretário-geral da ONU, António Guterres, que, após dez anos, prepara-se para deixar a instituição com uma avaliação muito pessimista sobre a sua incapacidade de responder às múltiplas crises que assolam o mundo. Leia mais: Planalto descarta por ora reunião de Trump com Lula na ONU, mas brasileiro marca encontro com prefeito de NY, adversário político do republicano Veja também: Brasil admite na ONU 'desafios' no combate ao trabalho análogo à escravidão Referindo-se à guerra na Ucrânia e à situação no Oriente Médio, Guterres disse nesta quarta-feira que "a cada dia as coisas pioram um pouco". "Não há nenhuma melhora em parte alguma", insistiu, ao expressar seu temor de "um risco de explosão" em escala global. O presidente americano, Donald Trump — crítico ferrenho do multilateralismo que a ONU encarna e defende —, discursará na manhã de terça-feira. A guerra iniciada pelos Estados Unidos contra o Irã, com suas consequências em cadeia para o Oriente Médio e a economia global, estará no centro de boa parte dos discursos, embora não se preveja qualquer avanço sem negociações entre Washington e Teerã. Planalto descarta por ora reunião de Trump com Lula na ONU, mas brasileiro marca encontro com prefeito de NY, adversário político do republicanoAs ameaças ao frágil plano de paz em Gaza e a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia também estarão na pauta desta semana. Zelensky e Netanyahu presentes; Xi, ausente O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, estará em Nova York na quinta-feira, apesar dos apelos do prefeito Zohran Mamdani para que ele seja detido em virtude de um mandado do Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra — mandado que os Estados Unidos não reconhecem. Como em anos anteriores, os Estados Unidos negaram o visto ao presidente palestino Mahmoud Abbas, obrigando-o mais uma vez a participar da cúpula por videoconferência. A delegação iraniana, incluindo o presidente Masoud Pezeshkian, foi autorizada a viajar para território americano para a cúpula. A guerra na Ucrânia, que se prolonga há quatro anos e meio, também ocupará um lugar de destaque na agenda, enquanto Kiev e Moscou intensificam seus ataques aéreos de longo alcance, resultando em inúmeras baixas. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, discursará em Nova York na quarta-feira e deve participar de uma reunião do Conselho de Segurança sobre o conflito. As crises no Sudão, na República Democrática do Congo (RDC), no Haiti e em muitos outros locais serão tema de dezenas de reuniões, tanto públicas quanto privadas, organizadas no âmbito de um evento que reúne milhares de diplomatas, especialistas e jornalistas. Embora a cúpula não leve necessariamente a grandes avanços diplomáticos, as negociações paralelas podem ser úteis, declarou à AFP Daniel Forti, diretor de assuntos da ONU no International Crisis Group. Uma ausência notável será a do líder chinês Xi Jinping, que não fará escala em Nova York a caminho de Washington, onde se reunirá com Donald Trump na quinta-feira. Embora a China apoie plenamente o multilateralismo na ONU, "há muito tempo considera esta semana de alto nível como um domínio dos Estados Unidos", observa Forti. "Coordenação global" sobre IA O tema da regulamentação da inteligência artificial também foi abordado na cúpula, após uma série de incidentes e alertas alarmantes de diversos líderes empresariais do setor. Prevê-se que vários países apoiem o apelo de António Guterres por uma "coordenação global" sobre IA, e é provável que surjam outras iniciativas a esse respeito, incluindo uma reunião especial do Conselho de Segurança sobre o seu uso. Após um verão no Hemisfério Norte marcado por ondas de calor e fenômenos meteorológicos extremos, o secretário-geral presidirá, na quarta-feira, uma reunião sobre ação climática, seguida de um dia dedicado à elevação do nível do mar, uma ameaça existencial para nações insulares. As principais potências também debaterão o futuro da ONU, buscando um candidato de consenso para suceder Guterres, cujo mandato termina em 31 de dezembro. Não se preveem avanços a esse respeito durante a semana, embora os países com direito a veto — Reino Unido, França, Rússia, China e Estados Unidos — possam aproveitar esta reunião de líderes para selar um acordo. Muitas vozes clamam para que uma mulher presida as Nações Unidas pela primeira vez. Atualmente, há três candidatas para ocupar a Secretaria-Geral, contra três homens.

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