ONU exige que Israel liberte brasileiro detido em flotilha para Gaza
A ONU apelou nesta quarta-feira (6) para que Israel liberte imediatamente dois ativistas detidos de uma flotilha com destino a Gaza e exigiram uma investigação sobre 'relatos perturbadores' de que teriam sido gravemente maltratados.
O espanhol Saif Abu Keshek e o brasileiro Thiago Avila, que estão detidos em uma prisão em Ashkelon, estavam entre as dezenas de ativistas de uma flotilha com destino a Gaza que foi interceptada por forças israelenses em águas internacionais na costa da Grécia.
'Israel deve libertar imediata e incondicionalmente Saif Abu Keshek e Thiago Avila, membros da Flotilha Global Sumud, que foram detidos em águas internacionais e levados para Israel, onde continuam detidos sem acusação', disse Thameen al-Kheetan, porta-voz do escritório de direitos humanos da ONU, em um comunicado.
Representantes de Avila e Abu Keshek acusaram as autoridades israelenses de abuso contra os dois homens, que estão em greve de fome há seis dias.
Kheetan denunciou os 'relatos perturbadores de maus-tratos graves', exigindo uma investigação e insistindo que 'os responsáveis devem ser levados à justiça'.
Israel prorroga até domingo (10) a prisão de ativistas da 'Flotilha de Gaza'
Em uma audiência ocorrida em Ashkelon, na costa israelense, onde o espanhol Saif Abu Keshek e o brasileiro Thiago Ávila estão detidos, a justiça israelense prorrogou até domingo a prisão preventiva dos ativistas da "Flotilha de Gaza" que foram detidos na costa da Grécia. No domingo, o tribunal israelense já havia aprovado uma primeira prorrogação de dois dias da prisão preventiva dos dois.
A RFI entrou em contato com a Adalah, organização de direitos humanos em Israel que defende os dois ativistas detidos, que informou que ambos estão sofrendo maus-tratos e abusos psicológicos.
Segundo os relatos das advogadas da organização, Thiago Ávila contou ter sido submetido a interrogatórios de até oito horas de duração. Os ativistas são mantidos em isolamento total e suas celas têm iluminação constante de alta intensidade 24 horas por dia, uma prática projetada para induzir privação de sono e causar desorientação.
Sobre a abordagem e captura das embarcações em águas internacionais, o Ministério das Relações Exteriores de Israel informou à RFI que isso ocorreu devido ao “grande número de embarcações” e “à necessidade de evitar o rompimento de um bloqueio legal”. Israel considera que a ação ocorreu “em conformidade com o direito internacional”.
Sobre a acusação de violência contra os ativistas, o ministério disse que são “alegações falsas e infundadas preparadas previamente” e que Thiago Ávila e Saif Abu Keshek “não foram submetidos à tortura em momento algum”.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil afirmou “estar prestando toda a assistência consular ao brasileiro e acompanhado as audiências na Justiça”.
