A ONU anunciou nesta terça-feira (27) que os compromissos recentes assumidos pelos países para reduzir a emissão de gases do efeito estufa (GEE) resultarão em uma diminuição de apenas 6% até 2035, número considerado muito abaixo do necessário para cumprir as metas climáticas. Segundo o novo relatório das Nações Unidas, divulgado poucas semanas antes da COP31 em Antália, na Turquia, espera-se que os níveis globais de emissões de GEE atinjam seu auge e comecem a cair até 2035, alcançando em média uma redução de 6% em relação aos níveis de 2019.
Caso os países cumpram totalmente seus planos e objetivos, essa redução poderia chegar a 9%. De acordo com o relatório mais recente do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) da ONU, publicado em 2023, para limitar o aumento da temperatura global em 1,5°C até o final do século — meta mais ambiciosa do Acordo de Paris — seria necessário cortar as emissões globais em 43% até 2030 e 60% até 2035, considerando o ano de 2019 como referência.
O relatório do ano passado indicava uma redução de 10% nas emissões até 2035, contudo esse cálculo foi feito antes dos Estados Unidos anunciarem sua saída do Acordo de Paris e antes da apresentação dos novos compromissos de muitos países. O documento atual baseia-se nas promessas de 154 países, que juntos representam quase 70% das emissões globais.
Simon Stiell, diretor da ONU Clima, comentou que o relatório destaca os grandes desafios enfrentados atualmente. Ele ressaltou que, embora as nações estejam comprometidas e seguindo em frente, os resultados coletivos ainda são claramente insuficientes.
Stiell afirmou que, ao focar em medidas práticas para melhorar a implementação, a COP31 na Turquia pode ajudar a fechar algumas das principais lacunas existentes. Além disso, outros dois relatórios da ONU apresentados no mesmo dia destacam que houve avanços na adaptação e no financiamento climático, embora ainda estejam longe do que é necessário.
Um relatório recente da Climate Policy Initiative (CPI), citado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), estima que serão necessários 7,8 trilhões de dólares anuais até 2030, aumentando para 9 trilhões de dólares por ano entre 2031 e 2035.
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