Sensação repentina de calor intenso, suor e desconforto. Os fogachos, como são chamadas as ondas de calor, estão entre os sintomas mais comuns da menopausa e podem prejudicar o sono e a qualidade de vida.
Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Manguinhos, investigam o potencial da oxibutinina, medicamento usado no tratamento da bexiga hiperativa, para aliviar esses episódios sem o uso de hormônios. Buchecha e Koringa mandam avisar: Baile funk de 5 horas de duração vai unir artistas de diferentes gerações na Barra
Roupas falsificadas: Loja é interditada em Campo Grande Uma revisão de estudos científicos conduzida por especialistas do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) identificou resultados que apontam redução na frequência e na intensidade dos fogachos com o medicamento.
A pesquisa se concentra no climatério, fase de transição entre o período reprodutivo e a menopausa, marcada pela redução gradual dos hormônios femininos. As ondas de calor e os suores noturnos afetam até 80% das mulheres após a menopausa.
Já a bexiga hiperativa, que provoca vontade súbita e urgente de urinar, atinge entre 11% e 42% das mulheres adultas e se torna mais frequente durante o climatério. Jorge Neto e Ana Luiza durante congresso mundial em que apresentaram estudo
Arquivo Pessoal Embora a terapia hormonal seja considerada o tratamento mais eficaz contra os fogachos, ela é contraindicada em algumas situações clínicas.
A oxibutinina surge, assim, como uma possibilidade não hormonal e de baixo custo, que pode beneficiar mulheres que apresentam tanto ondas de calor quanto sintomas urinários. — Os resultados analisados apontam melhora significativa dos sintomas em diferentes estudos clínicos, inclusive com desempenho superior ao observado em alguns tratamentos não hormonais utilizados atualmente, embora sem comparação direta entre as terapias — explica a ginecologista Ana Luiza Varanda, do IFF/Fiocruz, responsável pela revisão em colaboração com Jorge Elias Neto, também ginecologista do instituto.
O trabalho reuniu 11 fontes internacionais, com publicações de 2007 a 2025, consultadas nas bases PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde. Entre elas estão três estudos sobre o uso da oxibutinina contra os fogachos: dois ensaios clínicos controlados por placebo e uma análise retrospectiva.
A busca não identificou estudos brasileiros sobre o tema. Os pesquisadores ressaltam que ainda são necessários estudos específicos com mulheres que apresentam os dois tipos de sintomas ao mesmo tempo.
Como próximos passos, preveem uma nova revisão da literatura e, posteriormente, um estudo com acompanhamento de pacientes. A pesquisa foi selecionada para apresentação no 20th World Congress on Menopause – IMS, realizado de 30 de setembro a 3 de outubro, na Barra.
Apesar dos resultados promissores, a oxibutinina não deve ser usada por conta própria para tratar os sintomas da menopausa. O uso exige avaliação médica.
*Esta reportagem foi publicada no Especial Saúde do GLOBO-Tijuca + Zona Norte em 24/10
O Globo