A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou nesta sexta (23) o início de seu primeiro estudo clínico de uma vacina contra a cepa do Ebola que devasta atualmente a República Democrática do Congo (RDC), onde o surto da doença já matou mais de 4.000 pessoas nos últimos meses. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, confirmou através do X (ex-Twitter) que os primeiros participantes do estudo foram vacinados com o imunizante Ervebo em Bunia, a capital da província nordestina de Ituri na República Democrática do Congo, que é o epicentro da epidemia.
A Ervebo é uma vacina já aprovada para uso contra uma cepa mais comum do Ebola, a Zaire. No entanto, agora ela será testada em humanos para ver se oferece alguma proteção cruzada contra a cepa Bundibugyo, reponsável pela atual epidemia, caso haja semelhança suficiente entre os vírus.
"Este estudo vai nos ajudar a entender se quaisquer das vacinas candidatas criadas para o vírus Bundibugyo funcionarão", acredita Tedros Adhanom. A República Democrática do Congo declarou, em maio, seu 17º surto de Ebola — o pior de sua história, com mais de 9.700 casos e mais de 4.600 mortes até o momento.
A OMS declarou esta uma "emergência de saúde pública de preocupação itnernacional", o segundo mais alto nível de sua escala de alertas. Desde então, a epidemia já se alastrou para outros quatro países da África, como Quênia, Nigéria, Uganda, além da RDC.
Atualmente, o estudo clínico Tumaini se prepara para entrar em sua segunda fase (são três as necessárias) para testagem de segurança, eficácia e imunogenicidade de múltiplas vacinas contra o Ebola, através da imunização de pessoas de alto risco para infecção. Ele dever'incorporar duas vacinas-candidatas específicas contra a cepa Bundibugyo, já aprovadas em testes iniciais menores.
Uma delas, a adenoviral ChAdOx1 vem sendo desenvolvida pela Universidade de Oxford, enquanto a outra, do laboratório americano Moderna, usa tecnologia de RNA mensageiro. Ambas recebem financiamento da CEPI (Coalização para Inovações em Preparação para Epidemias, na sigla em inglês), um grupo que inclui o Fórum Econômico Mundial, os governos da Índia e Noruega, além da Fundação Bill & Melinda Gates.
Os testes devem envolver mulheres grávidas e crianças com 12 anos ou mais, grupos geralmente excluídos de ensaios clínicos. O diretor de emergências da OMS, Chikwe Ihekweazu acredita que estes estudos gerarão evidências necessárias para determinar se as vacinas poderão proteger pessoas em risco.
(Com AFP)
O Globo