A obesidade continua cercada de preconceitos que podem dificultar a busca por ajuda médica e gerar sentimentos de culpa entre aqueles que vivem com essa doença. Durante o Fórum Latino-Americano VALUE Exp, realizado no Panamá, o cirurgião e sexólogo colombiano Fernando Rosero explicou por que algumas das ideias mais difundidas sobre o excesso de peso não refletem todas as evidências científicas.
Com base em sua experiência profissional e pessoal, o especialista questionou cinco mitos e enfatizou que o tratamento exige estratégias sustentáveis, acompanhamento e uma avaliação que vá além das escalas. Polilaminina: Tudo o que se sabe sobre restrições ao uso compassivo da terapia impostas pela Anvisa
E mais: Como técnica milenar chinesa pode ajudar os movimentos de pacientes com Parkinson 1 - O índice de massa corporal determina se uma pessoa está saudável?
O primeiro mito questionado por Rosero é que o índice de massa corporal (IMC) nos permite conhecer o estado de saúde de uma pessoa por si só. Essa medição relaciona peso com altura e é útil como ferramenta inicial de avaliação, mas não distingue entre gordura corporal e massa muscular nem identifica onde a gordura se acumula.
Por esse motivo, o médico disse que a análise deve ser complementada com outros indicadores, como circunferência da cintura e composição corporal. 2.
A obesidade é consequência da falta de força de vontade? Ele rejeita a ideia de que pessoas com obesidade simplesmente não têm disciplina para controlar sua alimentação.
Como ele explicou, genética, fatores biológicos, ambiente e hábitos podem influenciar a regulação do apetite e do peso. A Organização Mundial da Saúde também reconhece que essa doença surge de uma interação complexa entre determinantes sociais, ambientais, comportamentais e biológicos, então responsabilizar apenas o indivíduo simplifica um problema de saúde muito mais amplo.
Medida cintura-altura Pixabay
Rosero também abordou o conceito conhecido como ruído alimentar, usado para descrever pensamentos persistentes relacionados à comida, como pensar constantemente no que comer ou sentir vontade de repetir logo após uma refeição. O médico observou que esses impulsos podem ser difíceis de controlar e que combatê-los apenas com força de vontade nem sempre funciona.
Isso não significa que os hábitos não importem, mas que o tratamento também deve considerar os mecanismos biológicos e psicológicos envolvidos no comportamento alimentar. 3.
Recuperar os quilos perdidos significa falhar? Uma das mensagens centrais do médico foi que recuperar algum peso após perder peso não deve ser automaticamente interpretado como um fracasso pessoal.
A obesidade é uma doença crônica, e manter os resultados pode exigir acompanhamento e ajustes ao longo do tempo. Rosero disse que, em muitos casos, o problema não está na falta de esforço, mas no fato de ainda haver falta de ferramentas e estratégias para sustentar a perda de peso.
4. Os medicamentos para perda de peso são apenas uma solução estética?
O especialista questionou que tratamentos farmacológicos são considerados exclusivamente uma ferramenta para melhorar a aparência física. Quando indicados por profissionais, eles podem fazer parte de uma abordagem médica para a obesidade e contribuir para melhorar certos fatores de risco associados.
A OMS inclui o tratamento farmacológico entre as opções que podem ser avaliadas dentro do cuidado abrangente, juntamente com procedimentos nutricionais, comportamentais, psicológicos e, quando apropriado, especializados. 5.
Perder apenas 5% do peso corporal não funciona? Rosero também questionou a crença de que uma redução moderada de peso não produz mudanças importantes.
Como ele explicou, perder uma proporção relativamente pequena do peso inicial pode gerar benefícios metabólicos, como melhorias em alguns indicadores de pressão arterial, glicose e triglicerídeos. A magnitude desses resultados depende de cada pessoa e de sua situação clínica, mas o especialista enfatizou que o progresso não deve ser medido apenas pela figura final mostrada nas escalas.
A obesidade requer tratamento abrangente e acompanhamento médico A Organização Mundial da Saúde estima que, em 2024, cerca de 1,1 bilhão de pessoas viviam com obesidade no mundo.
A entidade alerta que essa condição aumenta o risco de doenças como diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares e certos tipos de câncer. Também observa que a prevenção e o tratamento devem considerar o acesso a alimentos saudáveis, atividade física, descanso e condições sociais que influenciam as decisões do dia a dia.
O Globo