Omã apresentou ao Irã um plano apoiado pelos países do Golfo para administrar o Estreito de Ormuz, incluindo a cobrança de taxas voluntárias pelo uso, disseram nesta terça feira à Reuters uma fonte do Golfo e um diplomata ocidental. As propostas de Omã têm como objetivo servir de base para reverter a interrupção do comércio pelo estreito, causada pela guerra entre EUA e Israel contra o Irã. Uma autoridade americana, porém, voltou a rejeitar a ideia de pedágios ou de taxas para navios que passam pelo estreito, reiterando que se trata de via navegável internacional — que deve estar livre do controle ou das restrições iranianas. A fonte disse à Reuters que o acordo não incluiria quaisquer pedágios ou taxas obrigatórias. Mesmo assim, a suspensão das hostilidades para que mediadores apresentem suas propostas tem ajudado a aliviar a pressão sobre os preços do petróleo. O barril do Brent fechou em US$ 84,09, queda de 4,83%, nesta terça-feira.
O presidente dos EUA, Donald Trump, que suspendeu no fim de semana os bombardeios, disse que havia “boas conversas” em andamento com o Irã, mas ameaçou retomar os ataques caso as negociações não produzam resultados. O Irã negou estar buscando retomar as negociações. Washington lançou novos ataques no início do mês para quebrar o controle do Irã sobre o estreito por onde passava antes da guerra um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito transportado por mar do mundo. O Irã efetivamente fechou o estreito para navios que não fossem seus após o ataque dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro. Um acordo firmado no mês passado entre EUA e Irã reabriu parcialmente a passagem, e futuras negociações estão planejadas para resolver questões mais amplas, incluindo o programa nuclear. Mas o acordo fracassou no início de julho depois de o Irã disparar contra navios que utilizavam um canal que o país não aprova. O Irã declarou que deseja administrar o estreito juntamente com Omã, que controla a margem oposta, e cobrar taxas de serviço dos navios que o utilizam. Washington quer retornar ao status anterior à guerra, quando os navios podiam passar sem nenhuma taxa — e considera a cobrança ilegal. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, disse que o país propôs a Omã que o Irã administre a navegação em único sentido pelo seu lado do estreito, enquanto Omã administraria parte, mas não a totalidade, da direção oposta. Segundo a proposta, o Irã não exerceria controle exclusivo e as taxas seriam voluntárias, disseram à Reuters uma fonte do Golfo e um diplomata ocidental. O sistema seria análogo ao que está em vigor no Estreito de Malaca, na Ásia, onde Indonésia, Malásia e Singapura solicitam que os navios façam contribuições voluntárias para financiar a navegação, proteção ambiental e operações de busca e salvamento. O diplomata ocidental comparou a medida a um imposto voluntário sobre o carbono para voos, em que qualquer pessoa que compre uma passagem aérea pode optar por pagar para compensar as emissões. Os ministros de Relações Exteriores do Conselho de Cooperação do Golfo se reuniram por videoconferência, na terça-feira, para discutir os últimos desdobramentos do conflito, incluindo maneiras de intensificar a cooperação em questões relacionadas à liberdade e segurança das embarcações na hidrovia, segundo um comunicado do Ministério das Relações Exteriores do Catar. Para agravar os desafios à navegação, os houthis, alinhados ao Irã no Iêmen, abriram nova frente contra os EUA e aliados em 20 de julho, quando declararam bloqueio aos portos sauditas no Mar Vermelho, por Bab el-Mandeb. Nesta terça-feira, os houthis disseram ter disparado mísseis balísticos contra um petroleiro saudita que, segundo o grupo, foi obrigado a retornar. No fim de semana, Trump cancelou a manutenção de ataques aéreos após receber o conselho de comandantes militares de que a estratégia se esgotou.
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