A OceanPact, empresa brasileira especializada em serviços marítimos para a indústria de petróleo e gás, encontrou uma maneira de liberar capital imobilizado em sua frota sem necessariamente abrir mão das operações comerciais. A companhia anunciou um acordo para vender duas embarcações de apoio offshore por 86 milhões de dólares, mas continuará operando uma delas por meio de um contrato de afretamento.
A transação, se concluída, poderá reduzir o endividamento e ampliar a capacidade de distribuição de dividendos aos acionistas. Os navios envolvidos são o CBO Energy e o CBO Wiser, ambos classificados como PSV, embarcações utilizadas principalmente para transportar suprimentos e equipamentos até plataformas de petróleo.
O comprador é um grupo estrangeiro do setor de apoio marítimo offshore, cuja identidade não foi divulgada. Cada unidade foi negociada por 43 milhões de dólares, com pagamento de 10% do valor total como sinal e quitação do saldo no fechamento, previsto para até 18 de dezembro.
A estrutura da operação chama atenção especialmente no caso do CBO Wiser. A venda está condicionada ao afretamento da embarcação à Companhia Brasileira de Offshore (CBO), subsidiária integral da OceanPact.
Na prática, a companhia deixará de ser proprietária do navio, mas continuará utilizando-o para atender ao contrato vigente com seu cliente. A operação permite transformar o valor do ativo em recursos financeiros, embora também passe a envolver despesas de afretamento, cujos efeitos sobre a rentabilidade futura precisarão ser avaliados.
Continua após a publicidade O preço negociado foi bem recebido por analistas do mercado financeiro.
Segundo avaliação do Bradesco BBI, os 43 milhões de dólares por embarcação equivalem a aproximadamente 90% do valor de um navio novo, apesar de as unidades terem cerca de cinco anos de uso. O banco estima que a transação poderá gerar aproximadamente 430 milhões de reais em recursos líquidos para a companhia, valor superior à avaliação que atribuía aos ativos em seu modelo.
Continua após a publicidade O Itaú BBA também destacou o potencial de geração de valor.
Considerando um valor contábil estimado de aproximadamente 20 milhões de dólares por navio, o banco calcula um ganho de capital próximo de 45 milhões de dólares na operação. As estimativas, no entanto, dependem da conclusão da venda e não equivalem a uma promessa de distribuição imediata de dividendos.
A destinação dos recursos continuará sujeita às decisões financeiras e societárias da OceanPact. Continua após a publicidade
A conclusão da transação depende de condições precedentes, incluindo aprovações societárias e a anuência do cliente atendido pelo CBO Wiser. Para os acionistas, o principal atrativo é a possibilidade de a OceanPact liberar recursos de dois ativos valorizados e, ao mesmo tempo, preservar parte de sua atividade operacional.
O desafio será demonstrar que a economia de capital proporcionada pela venda compensará os custos futuros associados ao aluguel de uma das embarcações. Publicidade
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