Observação de aves leva paulistanos aos parques

Observação de aves leva paulistanos aos parques - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Um gavião-asa-de-telha, espécie rara na capital e que, segundo a prefeitura de São Paulo, antes era observada apenas no interior paulista, foi registrado no Parque da Independência, no bairro Ipiranga, Zona Sul da cidade.

Na Floresta Municipal Fazenda Castanheiras, às margens da Represa Billings, ainda na Zona Sul, uma araçari-poca, também pouco comum no município, foi identificada pela primeira vez no local. Em 2025, um ferreirinho-relógio, pássaro pequeno e discreto, foi encontrado até na Praça da República, no Centro. Avistamentos como esses têm levado os participantes do Vem Passarinhar Sampa a diferentes pontos da capital. Desde 2022, o projeto da prefeitura de São Paulo, realizado em parceria com a ONG Save Brasil, promove passeios gratuitos de observação de aves em parques e áreas verdes municipais. Já foram realizadas 57 saídas, com 2.961 participantes e mais de 230 espécies registradas. Acompanhados por biólogos, os grupos recebem binóculos e percorrem os espaços para observar as aves. Não é necessário ter experiência nem conhecimento prévio para participar. Um jeito de conhecer a cidade Procurar pássaros muda o ritmo de uma caminhada. Um canto ou um movimento entre as folhas chama a atenção para aves que poderiam passar despercebidas. Durante o percurso, os biólogos orientam os visitantes na identificação das espécies e falam sobre hábitos e habitats. Giovanni Pupin conheceu o Vem Passarinhar como participante, antes de integrar a Divisão da Fauna Silvestre da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente. – Eu participava do projeto por diversão, porque você acaba conhecendo os parques da cidade e vendo bichos diferentes. Durante as visitas, tem sempre uma surpresa – conta. Hoje, como biólogo, ele acompanha os grupos uma vez por mês. As caminhadas já renderam avistamentos variados. Na Aclimação, em 2023, foram avistados papagaio-verdadeiro, socozinho, pica-pau-banda-branca e pica-pau-de-cabeça-amarela. No Parque 9 de Julho, na Zona Sul, a lista incluiu aves aquáticas como paturi, marreca-toicinho e marreca-pardinha.

Biólogos acompanham visitação para observar as aves Ciete Silvério/Secom/Divulgação A professora de Física Simone Nogueira, de 58 anos, também encontrou nas caminhadas uma forma de explorar a cidade.

– O Vem Passarinhar Sampa proporciona ir a lugares onde o grande público não consegue ir. Eu sempre gostei muito de pássaros, sempre amei a natureza – diz. Durante as saídas, os participantes podem registrar as espécies encontradas no eBird, plataforma que reúne informações enviadas por observadores de aves de várias partes do mundo, e usar o Merlin, aplicativo que auxilia na identificação das espécies e permite gravar os cantos.

As informações reunidas contribuem para a produção de dados científicos e para o monitoramento da fauna paulistana. Segundo a bióloga Anelisa Magalhães, da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, saber onde exemplares pouco comuns aparecem fornece subsídios para políticas públicas de conservação. Em 2025, o projeto recebeu aproximadamente 819 participantes. Nos primeiros sete meses de 2026, cerca de 490 pessoas fizeram os passeios e avistaram mais de 110 espécies. Proteção dos habitats Entre as aves que se pode observar está o sabiá-do-campo Guto Magalhães/SVMA/Divulgação A presença de aves na cidade está ligada à conservação dos ambientes que oferecem alimento e abrigo. Árvores, lagos e trechos de vegetação também proporcionam locais para descanso e reprodução de espécies nativas e migratórias. São Paulo tem hoje 124 parques municipais, 16 deles entregues desde 2021. Nesse período, mais de 5,4 milhões de metros quadrados de áreas verdes foram incorporados ao patrimônio ambiental do município, segundo a prefeitura. Para a Divisão da Fauna Silvestre, a expansão desses espaços amplia as condições para a permanência e a circulação dos animais pela capital. A vegetação não se restringe aos parques. Desde 2021, quase meio milhão de árvores foram plantadas e, de acordo com a administração municipal, mais de 50% do território paulistano tem cobertura vegetal. Pelo quarto ano, São Paulo recebeu o reconhecimento Cidade Árvore do Mundo, concedido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pela Arbor Day Foundation. SERVIÇO: Gratuitas, as atividades do Vem Passarinhar Sampa acontecem mensalmente em diferentes parques da cidade. Durante os passeios, biólogos acompanham os participantes, que têm binóculos à disposição para observar as aves.

Neste feriado de 7 de setembro os parques municipais vão funcionar normalmente.

- CeMaCAS: atendimento até as 12 horas.

- Fauna Silvestre no Ibirapuera, UMAPAZ e viveiros municipais: fechados. Mais informações podem pelo e-mail faunasvma@prefeitura.sp.gov.br ou pelo WhatsApp (11) 95220-0219.

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