'O segredo de 'Widow's Bay' tem terror, humor e encantos. Série estrelada por Matthew Rhys merece a sua atenção

 

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Lançada pela AppleTV e estrelada por Matthew Rhys (,ais sobre ele aqui) “O segredo de Widow’s Bay” exige um pouquinho de paciência do espectador. A série evolui devagar e, até o segundo episódio, lembra até a um conto de Grimm. Mas, passada essa etapa, o registro que combina (e embaralha) terror e humor se impõe com força. Fica claro que não estamos acompanhando uma história quase infantil e sim uma aventura que parece até algumas das mais apavorantes criações de Stephen King. O elenco é todo bom e a trama captura. A primeira temporada tem dez episódios — há quatro disponíveis na plataforma e os inéditos entram às quartas-feiras. Recomendo.

A ação se passa num a ilha na costa da Nova Inglaterra povoada por três mil habitantes e por muitos fantasmas. Essa crença no sobrenatural é relacionada à violência da época da fundação do vilarejo, no século 18. A mitologia de assombrações mistura almas penadas de náufragos e de suas viúvas a relatos de desaparecimentos inexplicados e até de canibalismo. O ambiente insular colabora para fortalecer a atmosfera de medo. O wi-fi nunca funciona. O telefone fixo e a secretária eletrônica estão em todos os cantos e falta luz com frequência. De vez em quando, uma estranha neblina invade tudo, apavorando os moradores que apostam que esse seja um sinal de péssimo agouro.

Matthew Rhys e Bashir Salahuddin

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Rhys vive Tom Loftis, o prefeito. Ele não acredita em maldição. Está determinado a atrair o turismo. Para isso, precisa romper a resistência de alguns. Entre eles está Wyck (Stephen Root), que afirma que “a ilha está acordando”. Em outras palavras, há uma grande praga adormecida despertando e tornado-se ativa. O padre local (Toby Huss) concorda com essa tese. Contra a vontade deles, Loftis consegue atrair um jornalista do “The New York Times”, que se encanta com o cenário bucólico e faz uma reportagem em que garante: o lugar é um paraíso de férias. Assim, o enredo é impulsionado por duas forças que se antagonizam: o otimismo do prefeito e a certeza de um grupo de fatalistas.

“O segredo de Widow’s Bay” tem uma fórmula original. Ela é cheia de personagens farsescos. Patricia (Kate O’Flynn), Dale (Jeff Hiller, de “Somebody somewhere”, leia sobre ela aqui) e Rosemary (Dale Dickey) estão entre eles. Essas presenças funcionam como sinalizações cômicas. Porém, quando o espectador se prepara para rir, vem uma sequência de horror e desfaz a graça das situações. Essas mudanças bruscas de tom tornam a série irresistível. Essa não é uma trama linear. Ela brinca com o absurdo e tem na direção de arte inspirada um de seus encantos.

Kate O’Flynn, Jeff Hiller e Matthew Rhys

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Tudo isso sem dizer que Matthew Rhys, que também produz, é um ator maravilhoso. Quem o acompanha desde “Brothers & sisters”, “The americans” e “Perry Mason” sabe do que ele é capaz.

PS: Aproveito para recomendar “Gary”, o excelente episódio especial de “The Bear” que chegou de surpresa à Disney+. E, coincidência: Hiro Murai, o diretor, também está por trás de “Widow’s Bay”.

Ebon Moss-Bachrach e Jon Bernthal

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