O que significam as cinco quinas escondidas na camisa de Portugal

O que significam as cinco quinas escondidas na camisa de Portugal

Fonte: Bandeira



Conhecida como “seleção de Quinas”, o time de futebol de Portugal ganhou o apelido graças a um detalhe na sua bandeira: os cinco escudetes azuis presentes no brasão de armas do país. O símbolo foi incorporado na bandeira depois da implementação da República, em 1910, como uma forma de redefinir os emblemas nacionais e a mudança de regime político.

Segundo o Museu da Presidência da República de Portugal, a simbologia das armas nacionais se perdeu ao longo do tempo, mas acredita-se que ela tenha uma conexão com a formação religiosa do país. Ainda hoje, segundo censo de 2021, cerca de 80% dos portugueses se declaram católicos.

Lenda de Ourique

Os cinco escudetes estariam relacionados à Lenda de Ourique, formulada no século XV, de acordo com o Museu da Presidência da República de Portugal.

“Segundo essa lenda, o Rei Dom Afonso Henriques teria decidido incorporar no seu brasão os cinco escudetes azuis em forma de cruz em lembrança dos cinco reis mouros mortos na Batalha de Ourique, após a premonitória visão de Cristo pregado na cruz”, descreve o museu.

O símbolo também traz besantes brancos no interior, que originalmente eram trinta, mas depois foram reduzidos a apenas cinco, e eles representariam as trinta moedas de ouro recebidas por Judas para trair Jesus. “Mais tarde, generalizou-se a explicação segundo a qual os cinco besantes brancos representariam as cinco chagas de Cristo”, escreve o Museu da Presidência da República de Portugal.

Bandeira de Portugal

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O que foi a Batalha de Ourique?

A Batalha de Ourique aconteceu em 25 de julho de 1139, entre o então Conde Afonso Henriques e um exército muçulmano almorávida, e ela foi fundamental para a criação de Portugal.

No século XII, o território que hoje pertence a Portugal era dividido entre o Condado Portucalense, um feudo cristão dentro do reino de Leão localizado no norte da Península Ibérica, e estados mulçumanos ao sul, que sofriam com invasões de povos norte-africanos, como os Almorávidas, que tentavam estabelecer um país muçulmano único no centro-sul da península.

Na época, a Península Ibérica passava pelo processo que ficou conhecido como a “Reconquista”, com a expansão do cristianismo e a expulsão dos povos muçulmanos da região.

O Conde Afonso Henriques liderava uma incursão militar contra o território muçulmano, porém o exército cristão estava em desvantagem numérica. Ainda assim, no dia 25 de julho de 1139, os cristãos conseguiram vencer a batalha, o que consolidou o poder do líder português na região e fez com que Afonso Henriques fosse aclamado como o “Rei dos Portugueses” pelos seus homens.

O evento histórico ganhou contornos fantásticos ao longo dos séculos com base em uma lenda, que se fortaleceu a partir do século XV, de que o Afonso Henriques teria tido uma visão, pouco antes da batalha, em que Jesus Cristo na cruz teria lhe prometido a vitória e a proteção divina para o reino que nasceria naquele momento.

A Batalha de Ourique marca o início do processo de conquista do território português e de separação com os reinos espanhóis. Em 1143, Afonso VII de Leão e Castela reconhece Afonso Henriques como rei de Portugal, seguido pelo Papa Alexandre III em 1179. Ao longo do século XIII, Portugal lutou para consolidar o seu território até que em 1297 foi assinado o Tratado de Alcanizes com o reino de Castela, estabelecendo as fronteiras que, com poucas alterações, permanecem até hoje.

Quais os outros símbolos da bandeira de Portugal?

Além do brasão de armas, outros elementos presentes na bandeira de Portugal são a esfera armilar, que faz referência ao passado das grandes navegações do país, e os sete castelos, que representariam a incorporação de Algarve ao território nacional.

O verde estaria relacionado à esperança e à associação ao progresso e ao futuro criada por Auguste Comte, pai do Positivismo que influenciou o movimento republicano português. O branco é descrito como “cor fraternal em que todas as outras se fundem, cor de singeleza, de harmonia e de paz”, segundo o Museu da Presidência da República de Portugal.

Já o vermelho seria uma “cor combativa, quente e viril por excelência” e que “lembra o sangue e a incita à vitória”, sendo a “única cor capaz de dar-nos o incêndio dos grandes entusiasmos e de nos erguer à máxima devoção por um dever sagrado.”