O que são as midterms e por que a eleição americana de terça pode mudar o rumo de Trump, da guerra no Irã e das tarifas contra o Brasil

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Fonte da notícia: ND Mais ND Mais

As midterms renovam toda a Câmara e um terço do Senado dos EUA na terça (3/11). Entenda o que são, por que quase sempre punem o presidente e o que está em jogo para o mundo e para o Brasil.

Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria. Amanhã, os americanos decidem se Donald Trump terá, nos dois últimos anos de mandato, um Congresso aliado ou um adversário com poder de investigar, bloquear e cobrar.

A eleição se chama midterm porque cai no meio do mandato presidencial, e quase nunca é neutra: costuma funcionar como um plebiscito sobre quem está na Casa Branca. Câmara.

Todas as 435 cadeiras são renovadas, porque os deputados têm mandato de apenas dois anos. Os republicanos têm maioria apertada, e os democratas precisam de um ganho líquido pequeno, de três a cinco cadeiras, conforme a contagem.

Senado. Estão em disputa 35 das 100 cadeiras: 33 regulares e 2 extraordinárias, as vagas deixadas por Marco Rubio, na Flórida, e por JD Vance, em Ohio.

Hoje são 53 republicanos contra 47 democratas e aliados independentes. Os democratas precisam de um ganho líquido de quatro cadeiras para chegar a 51, porque, num empate em 50 a 50, o voto de desempate é do vice-presidente, Vance.

Governos e poderes locais. Também votam 36 estados para governador, além de legislaturas e cargos locais, que definem regras de voto e os mapas dos distritos eleitorais.

O novo Congresso toma posse em 3 de janeiro de 2027. Desde 1946, houve 20 eleições de meio de mandato, e em 18 delas o partido do presidente perdeu cadeiras na Câmara.

A perda média foi de cerca de 26 cadeiras. As exceções foram 1998 (efeito do impeachment de Clinton) e 2002 (um ano depois do 11 de Setembro).

Quando a aprovação do presidente estava abaixo de 50%, a perda média chegou a 35. Trump perdeu cerca de 40 cadeiras em 2018, e Biden, 9 em 2022.

Em 2026, a aprovação de Trump gira em torno de 39%, e os democratas lideram por 8 a 9,5 pontos a pesquisa de intenção de voto para o Congresso. Os temas dominantes são o custo de vida, a gasolina, as tarifas e a guerra com o Irã.

Segundo os modelos de 31 de outubro, os democratas têm entre 83% e 93% de chance de ganhar a Câmara e entre 63% e 76% no Senado, conforme o modelo ou o mercado de apostas. Mais de 48,5 milhões de americanos já votaram antecipadamente, um recorde para uma eleição de meio de mandato, e os democratas levam vantagem nesse voto.

Mas é menos da metade dos cerca de 108 milhões de votos para a Câmara em 2022, e só 27 estados informam o partido do eleitor, de modo que a foto parcial engana. Probabilidade não é previsão.

Os republicanos redesenharam distritos no meio da década, e os democratas reagiram em estados como a Califórnia, o que exige dos democratas uma vantagem maior para virar a Câmara. O mapa do Senado também favorece o governo, já que 22 das 35 vagas são republicanas.

Mesmo assim, há disputas apertadas em vários estados: na Carolina do Norte, o democrata Roy Cooper enfrenta Michael Whatley numa vaga aberta; no Maine, Susan Collins, republicana, enfrenta Troy Jackson; em Ohio, o democrata Sherrod Brown disputa com o senador Jon Husted; no Texas, o republicano Ken Paxton enfrenta James Talarico; e Alasca, Iowa e Kansas completam a lista.

Disputas assim podem levar dias para ter resultado. Quem controla uma Casa controla comissões, orçamento e investigações.

Se os democratas ganharem a Câmara, ganham o poder de convocar autoridades e investigar o governo, algo que Trump ainda não enfrentou neste mandato. Hakeem Jeffries, que seria o presidente da Casa, prometeu votar logo para restaurar subsídios do plano de saúde, reverter cortes do Medicaid, pressionar pelo fim da guerra e desfazer as tarifas.

Sobre impeachment, disse que o assunto não está nem dentro nem fora da mesa. A senadora republicana Shelley Moore Capito aposta que ele virará o assunto nº 1 de 2027, e os próprios democratas estão divididos.

Mas há limites claros. Trump mantém o poder de veto, e um Congresso dividido não teria os dois terços necessários para derrubá-lo.

As tarifas e a política externa são, em grande parte, atos do Executivo. Intimações podem ser ignoradas, já que o Departamento de Justiça é comandado por indicados de Trump.

A Lei de Poderes de Guerra, que exige aval do Congresso para ação militar prolongada, já foi contornada pelo governo. Se os democratas levarem também o Senado, passam a barrar nomeações, inclusive de juízes, e a disputar o orçamento, com risco de novas paralisações do governo.

Para os aliados, a eleição mede quanto poder interno Trump ainda tem para sustentar a guerra no Irã, as tarifas e a política externa. Há também um subenredo: o Wall Street Journal publicou que a Casa Branca sondou o ex-premiê húngaro Viktor Orbán para disputar o cargo de secretário-geral da ONU, com anúncio previsto só depois das midterms.

A informação não foi confirmada, e Reino Unido e França poderiam vetar. Os produtos brasileiros pagam, desde 22 de julho, uma tarifa de 25% com base na Seção 301 (com exceções para café, carne bovina e suco de laranja), além de uma sobretaxa adicional.

O senador Flávio Bolsonaro está nos Estados Unidos, e o governo Lula decidiu não reagir à viagem e esperar o resultado de terça para recalibrar a relação com Washington. O consenso entre os analistas é cauteloso: mesmo com avanço democrata, há pouca margem para reverter as tarifas no curto prazo, porque são um instrumento do Executivo.

O ex-embaixador Rubens Barbosa não vê efeito direto sobre o Brasil. Em outubro de 2025, porém, cinco senadores republicanos se uniram aos democratas numa resolução para revogar tarifas contra o país, sinal de que o tema tem apoio dos dois lados.

O efeito mais relevante é outro: sem maioria confortável, o presidente americano passa a conduzir a relação bilateral com mais contraditório político em Washington. E, a partir de janeiro, o Brasil poderá negociar também com comissões democratas e investigações no Congresso.

A lição vale para qualquer lado: apostar só no trumpismo ou só nos democratas é má estratégia. Convém ao Brasil tratar os EUA como Estado, e não como facção, e manter canais com os dois partidos.

Três coisas: se os democratas passam de 218 cadeiras na Câmara; se alcançam 51 no Senado, com Carolina do Norte, Maine, Ohio, Texas, Iowa e Alasca como pistas; e quanto a apuração demora, porque disputas apertadas podem levar dias. Na quarta, enquanto o Copom decide a Selic, vamos saber se o mercado vai precificar um Trump mais fraco ou mais agressivo.

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