O que líderes dizem sobre IA pode fazer diferença no uso da tecnologia pelos funcionários

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Funcionários que receberam a mensagem clara de que o uso de IA é uma expectativa básica relataram 40 minutos a mais de uso de IA por dia do que aqueles cujas organizações não incluíram essa mensagem Getty Images A forma como líderes apresentam a inteligência artificial aos funcionários pode estar relacionada ao quanto eles usam a tecnologia no trabalho, segundo um estudo da Boston Consulting Group (BCG) com mais de 1.000 funcionários americanos, de diferentes empresas e setores.

Em artigo publicado no Harvard Business Review, Gabriella Rosen Kellerman, David Martin e Julia Dhar, do BCG, dizem que, nas empresas em que as histórias contadas pelos líderes oferecem clareza, esperança e oportunidades de crescimento, os resultados são significativamente melhores.

Empresas gastam mais com IA, mas ainda automatizam processos que deveriam redesenhar Como a ansiedade dos líderes pode sabotar mudanças nas empresas Corrida para acompanhar a evolução da IA cria um novo problema para as empresas: funcionários mais cansados No entanto, poucos trabalhadores estão recebendo essas mensagens. As narrativas mais comuns são as de medo e ameaça competitiva, que não apresentaram relação significativa com adoção ou desempenho financeiro. A pior estratégia de todas é a ambiguidade, segundo o estudo. Organizações que transmitem mensagens pouco claras sobre IA têm maior probabilidade de não atingir suas metas financeiras e de ter funcionários usando IA até uma hora a menos por dia do que seus pares. Clareza faz diferença Os autores queriam entender como diferentes formas de comunicar a IA se relacionam com seu uso no trabalho. Cinco delas apresentavam uma narrativa clara sobre IA: que seu uso agora é uma expectativa básica de desempenho, que a IA é um mecanismo para aumentar a produtividade, que é uma resposta à ameaça da concorrência, que é uma ferramenta para o crescimento na carreira ou que é um caminho para um trabalho de maior qualidade e com mais significado. Os autores também incluíram as opções de que a liderança da empresa não comunica nada sobre IA, que não comunica de forma clara ou que adota alguma outra abordagem. Os funcionários que receberam a mensagem clara de que o uso de IA é uma expectativa básica relataram 40 minutos a mais de uso de IA por dia do que aqueles cujas organizações não incluíram essa mensagem. Na mensagem em que a IA ajuda os funcionários a entregar um trabalho de maior qualidade ou mais significativo, foram 18 minutos a mais, e a de que o uso da IA impulsiona o crescimento na carreira foram 17 minutos a mais. Bem no meio do grupo, sem impacto significativo na adoção de IA pelos funcionários, estavam algumas das mensagens mais comuns sobre o uso de IA: que ela é essencial para a produtividade e a eficiência. Apesar de serem mensagens populares entre líderes, essas abordagens não previram um aumento na quantidade de uso de IA pelos funcionários. As mensagens sobre ameaças da concorrência também não apresentaram relação com o tempo de uso de IA. Essas narrativas podem parecer convincentes na sala de reuniões, mas não estão contribuindo para o avanço da estratégia onde realmente importa, informaram os autores. Já quando a comunicação não é clara, os funcionários dessas empresas relataram usar IA 19 minutos a menos por dia.

Segundo os autores, para muitas organizações, mensagens ambíguas sobre IA podem parecer uma forma de se proteger — uma maneira de evitar alimentar a ansiedade sem permanecer em silêncio, ou de reconhecer que diferentes partes da organização alcançaram níveis distintos de adoção. Mas essa estratégia de comunicação parece ser contraproducente.

“Em nosso estudo, narrativas pouco claras não estiveram associadas a resultados neutros, mas a resultados ruins. A ambiguidade também foi o único estilo de comunicação significativamente associado aos relatos de funcionários de que suas organizações não estavam atingindo as metas financeiras. Com base nos relatos dos funcionários, organizações com comunicação pouco clara sobre IA tinham cerca de 30% menos probabilidade de atingir suas metas financeiras.” Impacto diferente entre setores Funcionários de tecnologia e finanças são os que mais provavelmente são colocados no papel de potenciais protagonistas da adoção de IA, para os quais o uso da tecnologia abrirá espaço para crescimento, significado e qualidade. Historicamente, esses setores foram mais rápidos em incorporar novas tecnologias à identidade profissional, e os dados sugerem que essa vantagem está se ampliando. Isso não significa, porém, que a mensagem mais comum entre trabalhadores de tecnologia e finanças seja sobre crescimento, mas, sim, sobre produtividade: 68% dos funcionários de empresas de tecnologia e 65% dos trabalhadores do setor financeiro dizem ouvir que a IA os tornará mais eficientes. Esses números revelam um potencial significativo ainda não aproveitado para que mais empresas, mesmo nesses setores líderes, adotem as mensagens positivas ou de expectativas básicas que mais preveem níveis elevados de adoção. Já funcionários dos setores público e sem fins lucrativos e da educação relatam abordagens menos positivas e mais ambiguidade: 51% dos trabalhadores do governo/organizações sem fins lucrativos e 54% dos funcionários da educação dizem não receber comunicação clara sobre IA. A indústria também apresenta níveis elevados de comunicação pouco clara, de 51%, enquanto o varejo tem a maior parcela de funcionários que dizem não receber comunicação alguma, de 48%. Lições para os líderes As transformações provocadas pela IA começam com as histórias contadas pelos líderes. Segundo os autores, os dados revelam que uma diferença importante entre empresas com níveis mais altos e mais baixos de adoção de IA pelos funcionários e de cumprimento das metas financeiras não está no orçamento, nas ferramentas ou na infraestrutura técnica. Está na história que a liderança escolhe contar — e em quão claramente ela a conta. Seja absolutamente claro sobre as expectativas Se o uso de IA é de fato uma nova expectativa básica, ele não deve ser apresentado como uma sugestão, mas como parte do que significa ter um desempenho esperado dentro de determinada organização.

Concentre-se no crescimento, não no medo Narrativas de ameaça competitiva ou produtividade se tornaram algumas das opções mais intuitivas para os líderes, talvez por sua presença frequente nas salas de reunião dos executivos. Mas estão entre as menos eficazes para estimular comportamentos.

Os funcionários têm maior probabilidade de adotar IA quando acreditam que ela é essencial para seu desempenho e que tornará seu próprio trabalho mais significativo, mais qualificado e mais alinhado com quem são. As histórias mais poderosas sobre IA são aquelas em que o funcionário é o protagonista, e não um custo a ser justificado. Trate a ambiguidade como um risco para os negócios Tendemos a valorizar a humildade epistêmica de líderes (“não tenho todas as respostas”) e, por isso, pode parecer honesto deixar deliberadamente em aberto as implicações da IA. Os autores dizem que essa abordagem tem um custo financeiro real. Funcionários que trabalham sem uma orientação organizacional clara sobre IA não ficam livres para criar sua própria interpretação. Eles simplesmente ficam mais ansiosos, menos ativos e trabalham para empresas com menor probabilidade de atingir suas metas. Líderes podem reconhecer o que é desconhecido e, ao mesmo tempo, estabelecer uma direção clara e intencional. O objetivo não é prever o futuro, mas eliminar a neblina que impede as pessoas de avançar. Avalie todos os sinais Quando as organizações comemoram ganhos de produtividade sem esclarecer as implicações para a carga de trabalho, os funcionários interpretam isso como uma intensificação, e os níveis de fadiga mental aumentam. Isso quer dizer que clareza não é um discurso isolado: é todo o ecossistema de sinais que os funcionários recebem.

Uma equipe de liderança que nunca menciona IA conta uma história. Uma empresa que investe em ferramentas de IA, mas não oferece orientação sobre como usá-las, conta outra história. Cada um desses sinais reforça ou mina a clareza da narrativa organizacional. Mais Lidas

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