Quando se fala em bem-estar, é comum pensar em atividade física, alimentação saudável, sono ou momentos de descanso. Todos esses elementos fazem parte da equação, mas nenhum deles, isoladamente, define o que significa estar bem.
SIGA O OTD NO WHATSAPP, YOUTUBE, TWITTER, INSTAGRAM, TIK TOK E FACEBOOK O conceito é muito mais amplo.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) relaciona saúde ao bem-estar físico, mental e social e destaca que saúde não significa apenas ausência de doenças. Mais recentemente, a própria organização passou a tratar o bem-estar como um estado positivo vivido por indivíduos e sociedades, influenciado também por condições sociais, econômicas e ambientais.
Isso ajuda a explicar por que bem-estar não é simplesmente uma responsabilidade individual. Dormir melhor, caminhar, praticar um esporte ou reservar tempo para descansar são escolhas importantes.
Mas as condições em que uma pessoa trabalha, mora, se relaciona, se desloca e tem acesso a serviços também interferem na qualidade de vida. Leia tambémBem-Estar Todo DiaBem-estar é responsabilidade coletiva? Por que saúde não depende só de vocêBem-Estar Todo DiaFlexibilidade na vida adulta: por que ela muda e como preservarBem-Estar Todo DiaComo organizar a semana sem se cobrar demaisBem-Estar Todo DiaFim da escala 6×1: o que muda no sono, lazer e bem-estar com dois dias de folga
Afinal, o que é bem-estar? Não existe uma única definição ou uma lista universal de “pilares do bem-estar”.
A OCDE, por exemplo, utiliza um modelo que reúne 11 dimensões de bem-estar atual, entre elas renda e patrimônio, trabalho e qualidade do emprego, moradia, saúde, conhecimento e habilidades, qualidade ambiental, equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, conexões sociais, participação cívica, segurança e bem-estar subjetivo.
Para entender o conceito de maneira mais simples, é possível organizar essas dimensões em alguns grandes pilares. 1.
Bem-estar físico É a dimensão mais associada ao conceito de saúde.
Inclui atividade física, alimentação, sono, descanso, mobilidade e cuidados com o próprio corpo. A atividade física tem papel importante porque produz benefícios tanto físicos quanto mentais e pode contribuir para a qualidade de vida.
A OMS destaca que a prática regular ajuda na prevenção e no controle de diversas doenças, além de reduzir sintomas de ansiedade e depressão e melhorar o bem-estar geral. Mas isso não significa que uma pessoa precise treinar todos os dias para estar bem.
Caminhar, brincar, pedalar, nadar, praticar um esporte ou simplesmente reduzir o tempo sentado também podem fazer parte de uma vida ativa. 2.
Bem-estar mental e emocional Estar bem também envolve conseguir lidar com os desafios da vida, reconhecer emoções e manter condições para estudar, trabalhar, descansar e se relacionar.
A OMS define saúde mental como um estado de bem-estar que permite à pessoa lidar com os estresses da vida, desenvolver suas capacidades, aprender, trabalhar e contribuir para sua comunidade. Isso é diferente de imaginar que bem-estar significa estar feliz o tempo inteiro.
Tristeza, preocupação, frustração e raiva fazem parte da experiência humana. O objetivo não é eliminar todas as emoções desagradáveis, mas ter recursos para atravessá-las sem que elas dominem permanentemente a vida.
3. Bem-estar social
Ninguém vive isolado. Amizades, família, relações profissionais, comunidades e outras formas de convivência fazem parte da qualidade de vida.
A conexão social aparece entre as dimensões utilizadas pela OCDE para medir bem-estar. O modelo também considera participação cívica, mostrando que a relação das pessoas com suas comunidades e sociedades faz parte de uma avaliação mais ampla de como elas vivem.
É por isso que uma rotina saudável não precisa ser construída apenas individualmente. Praticar um esporte com outras pessoas, caminhar com um amigo, participar de um grupo ou simplesmente manter relações de confiança também pode fazer parte do cuidado com o bem-estar.
4. Trabalho, renda e segurança
É difícil falar de qualidade de vida ignorando as condições materiais. Renda, estabilidade, moradia, segurança e qualidade do trabalho influenciam as possibilidades de escolha de cada pessoa.
A OCDE coloca condições materiais, trabalho, moradia e segurança entre as dimensões centrais do bem-estar. Isso ajuda a desmontar uma ideia comum nas redes sociais: a de que qualquer problema de bem-estar pode ser resolvido individualmente com uma nova rotina, um aplicativo ou uma sessão de exercício.
Uma pessoa que trabalha em condições precárias ou enfrenta insegurança financeira tem desafios diferentes de quem dispõe de tempo, renda e estrutura para cuidar da própria saúde. 5.
Ambiente e qualidade de vida O lugar onde alguém vive também importa.
Qualidade do ar, acesso a áreas verdes, transporte, segurança, moradia e possibilidade de utilizar espaços públicos influenciam as oportunidades de movimentação, lazer e convivência. A OMS afirma que o bem-estar é determinado também por condições ambientais e sociais.
A promoção da saúde, segundo o Ministério da Saúde, envolve justamente ações sobre os fatores sociais que condicionam a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das comunidades. Uma cidade com parques acessíveis, calçadas adequadas e espaços seguros, por exemplo, oferece condições diferentes para quem quer caminhar ou praticar atividade física.
6. Propósito, autonomia e participação
Existe ainda uma dimensão menos visível: a sensação de ter autonomia, objetivos e participação na própria comunidade. Bem-estar não significa apenas sentir-se confortável.
A OMS relaciona o conceito à possibilidade de indivíduos e sociedades contribuírem para o mundo com sentido e propósito. A participação social e cívica também aparece no modelo da OCDE.
É aqui que o conceito de bem-estar encontra a política. E o que a política tem a ver com bem-estar?
Muito mais do que parece. Isso não significa que bem-estar tenha partido político.
Significa reconhecer que muitas das condições que determinam a qualidade de vida são influenciadas por decisões coletivas. Saúde pública, educação, transporte, segurança, trabalho, renda, moradia, meio ambiente, acesso ao esporte e espaços públicos são exemplos de áreas que dependem de políticas e decisões governamentais.
O Ministério da Saúde, por exemplo, define promoção da saúde como um conjunto de estratégias voltadas à melhoria da qualidade de vida de indivíduos e coletividades e destaca a atuação sobre determinantes sociais da saúde, com participação popular. Por isso, bem-estar também pode ser uma questão pública.
Por que isso importa justamente durante uma eleição? O tema ganha uma dimensão especial no Brasil nesta semana.
O segundo turno das eleições de 2026 acontece neste domingo, 25 de outubro. Ao mesmo tempo, uma pesquisa Datafolha divulgada em outubro mostrou que 78% dos brasileiros consideram que o país vive uma situação de polarização política.
O índice foi semelhante entre os eleitores dos dois candidatos que disputam a Presidência. Esse contexto pode afetar uma das dimensões do bem-estar: as relações sociais.
Mas existe uma diferença importante entre o impacto emocional de uma eleição e o papel da política nas condições de vida. A primeira questão diz respeito ao que uma campanha, uma discussão ou a expectativa pelo resultado provocam em cada indivíduo.
A segunda é estrutural: quais condições permitem que uma população tenha saúde, segurança, tempo livre, acesso ao esporte, educação, trabalho digno, renda e oportunidades de convivência? As duas coisas fazem parte do conceito de bem-estar, mas não devem ser confundidas.
Bem-estar não é felicidade permanente Talvez essa seja a principal mudança de perspectiva.
Uma pessoa pode estar passando por uma semana difícil e ainda assim ter uma vida com boas condições de bem-estar. Da mesma maneira, alguém pode estar aparentemente feliz em determinado momento e enfrentar problemas importantes de saúde, segurança, relações ou condições materiais.
Bem-estar é mais amplo e mais duradouro do que uma sensação momentânea. É a combinação entre como a pessoa se sente, como vive e quais condições tem para construir a vida que considera significativa.
Por isso, cuidar do bem-estar pode envolver desde dormir melhor e encontrar uma atividade física prazerosa até melhorar relações, estabelecer limites no trabalho, ter acesso a serviços de saúde, participar da comunidade e viver em um ambiente seguro. Onde entra o esporte?
Para uma editoria como o Bem-Estar Todo Dia, o esporte é uma das portas de entrada — mas não precisa ser o destino final. Uma caminhada pode ser atividade física.
Um jogo com amigos pode ser exercício e socialização. Uma viagem para praticar kitesurf pode reunir lazer, movimento e contato com a natureza.
Uma boa noite de sono pode melhorar a disposição para praticar esporte. E uma cidade que oferece espaços públicos adequados pode facilitar todas essas escolhas.
O esporte, portanto, pode ser parte importante do bem-estar sem precisar ser apresentado como solução para todos os problemas. Bem-estar é individual, mas também coletivo
Talvez a maneira mais simples de resumir o conceito seja esta: bem-estar é mais do que cuidar do próprio corpo.
É ter condições para viver, trabalhar, descansar, conviver, se movimentar, participar da sociedade e encontrar sentido na própria vida. Algumas dessas escolhas dependem diretamente de cada pessoa.
Outras dependem da família, da comunidade, do ambiente e das condições econômicas e sociais. E algumas são influenciadas por decisões políticas.
Em uma semana de eleição, essa distinção fica ainda mais evidente. Cuidar do bem-estar não significa deixar de acompanhar a política, ignorar os problemas do país ou se afastar da vida pública.
Significa entender que saúde, qualidade de vida e participação social fazem parte da mesma conversa. E que estar bem não é apenas não estar doente.
É ter condições — individuais e coletivas — para viver com saúde, segurança, relações significativas, autonomia e qualidade de vida.
Olimpiada Todo Dia