O que é a Preparação de Belém, primeiro passo do ‘mapa do caminho’ apresentado pela presidência brasileira da COP30

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A chamada Preparação de Belém é o primeiro passo proposto pelo Brasil para orientar os países na transição para longe dos combustíveis fósseis. A iniciativa prevê uma avaliação nacional para identificar o nível de dependência de cada economia em relação às fontes de energia poluentes e diagnosticar as condições para avançar na descarbonização.

A proposta integra o Mapa do Caminho para Longe dos Combustíveis Fósseis, apresentado nesta terça-feira (3) pela presidência brasileira da COP30, junto com um segundo documento voltado ao fim do desmatamento e da degradação florestal. Veja também: Reduzir combustíveis fósseis é 'urgente, inevitável e possível', diz documento pré-COP31

Da autoridade climática ao mapa do caminho: Brasil passa bastão da COP com promessas ambientais pendentes Na prática, a Preparação de Belém funcionará como um diagnóstico das condições energéticas e econômicas de cada país.

A análise deverá considerar: Como ocorre atualmente a oferta e a demanda de energia

A dependência fiscal em relação ao mercado energético Os investimentos recentes no setor

As expectativas de retorno dos investidores Os sinais de preço transmitidos pelos produtores aos consumidores

A partir desse levantamento, os governos poderão identificar os principais obstáculos e as oportunidades para avançar na transição energética. A proposta também prevê medidas para acelerar o processo, como fortalecer o planejamento de longo prazo, ampliar a colaboração entre os setores público e privado e garantir uma oferta de energia confiável, acessível e sustentável.

Outras medidas incluem aprimorar a gestão da demanda e a participação dos consumidores por meio de sistemas digitais, acelerar a eletrificação, ampliar o uso de fontes de baixa emissão e investir em eficiência energética. O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, apresenta proposta ao lado da diretora-executiva Ana Toni e da ex-ministra Marina Silva

Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil Os dois mapas foram apresentados pela presidência brasileira da COP30 como instrumentos para ajudar os países a colocar em prática compromissos climáticos já assumidos.

Segundo o presidente da conferência, o embaixador André Corrêa do Lago, os documentos não fazem mais parte das negociações diplomáticas, mas representam contribuições para a implementação de políticas públicas. — Nossa intenção é ajudar os países a terem políticas, tanto na direção de zerar o desmatamento quanto na direção do afastamento dos combustíveis fósseis.

Políticas baseadas nas informações, na ciência e nos dados que já estão disponíveis hoje — afirmou. A diretora-executiva da COP30, Ana Toni, destacou que os países podem começar imediatamente a planejar suas estratégias, independentemente do estágio em que se encontram na transição energética.

— A transição é inevitável, então, comece a planejar agora e o mais breve possível. Porque isso vai ser bom para o seu país, para a sua sociedade, para a sua economia — disse.

A proposta considera que cada país parte de uma realidade diferente. Por isso, os mapas apresentam caminhos adaptáveis às condições econômicas, energéticas e sociais de cada território, mas com um objetivo comum: somar os esforços nacionais para alcançar resultados globais.

A ideia é que as contribuições individuais formem um grande esforço coletivo de implementação. Mapa do Caminho para o fim do desmatamento

O segundo documento apresentado pela presidência brasileira estabelece orientações para acabar com o desmatamento e a degradação florestal. A proposta tem alcance global e contempla florestas tropicais, subtropicais, temperadas e boreais, além de ecossistemas associados, como turfeiras e manguezais.

O plano considera não apenas a derrubada de árvores, mas também a degradação das florestas, um processo que compromete a capacidade desses ambientes de armazenar carbono, regular os sistemas de chuva e preservar a biodiversidade. O documento organiza as ações em seis dimensões: conservação; manejo florestal sustentável; agrossilvicultura e bioeconomia; combate à degradação florestal; combate ao desmatamento; restauração, reflorestamento e plantio de florestas.

Segundo o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, parte das medidas sugeridas foi inspirada em políticas já adotadas pelo Brasil, que contribuíram para reduzir o desmatamento no país. Ae acordo com o ministro, o objetivo é reunir experiências de diferentes nações e povos para construir soluções conjuntas, permitindo que avanços individuais se complementem e contribuam para os objetivos climáticos globais.

Os dois documentos foram concluídos dentro do prazo anunciado pela presidência brasileira, a menos de uma semana do início da COP31, prevista para ocorrer entre 9 e 20 de novembro, em Antália, na Turquia.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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