O que aconteceu com o avião de carga da Amazon? Veja possível hipótese e o que se sabe sobre as vítimas

O que aconteceu com o avião de carga da Amazon? Veja possível hipótese e o que se sabe sobre as vítimas - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Menos de 24 horas depois de um voo de carga da Amazon Prime Air sair da pista e sofrer um acidente ao pousar no Aeroporto Internacional de Miami, deixando pelo menos cinco mortos e vários feridos, as autoridades locais ainda tentavam, na segunda-feira, determinar a causa do acidente. Leia também: Caixa-preta de avião da Amazon que saiu da pista e pegou fogo em Miami é recuperada e segue para análise Cinco mortos: Novo vídeo mostra momento em que avião da Amazon sai da pista e pega fogo em Miami O voo 7598 da Prime Air saiu da pista diagonal do aeroporto pouco antes das 14h, horário local (15h no horário de Brasília), e atingiu vários veículos no solo, informaram as autoridades durante uma coletiva de imprensa realizada na tarde de domingo. Cinco pessoas ficaram feridas no acidente, três delas em estado grave, segundo o chefe do Corpo de Bombeiros de Miami-Dade, Ray Jadallah. Pelo menos duas pessoas ficaram presas em veículos atingidos pela aeronave, e o piloto e o copiloto ficaram presos dentro do avião após o impacto, acrescentou ele. As autoridades não divulgaram a identidade dos mortos, embora representantes dos bombeiros tenham informado que várias das vítimas estavam em solo. Mais de 60 equipes de resgate e cerca de 200 profissionais foram mobilizados para o local, informou o Corpo de Bombeiros e Resgate de Miami-Dade em comunicado. A corporação também relatou que uma vítima ficou presa sob um carro e precisou ser resgatada por uma equipe especializada em resgate técnico. No final da tarde de domingo, equipes de emergência ainda trabalhavam para conter um vazamento de combustível da aeronave, informou Jadallah. O chefe dos bombeiros disse ao Miami Herald que se tratava de uma operação difícil de busca e resgate, extração e controle de incêndio, ressaltando que era uma "situação muito complexa". Imagens mostram fumaça em jato Boeing da Amazon nos arredores do aeroporto de Miami neste domingo Reprodução | X Segundo a imprensa local, enquanto o incêndio provocado pela queda lançava nuvens de fumaça negra no ar, ouviu-se um bombeiro dizer aos colegas pelo rádio: "O avião está pegando fogo. O avião está pegando fogo. Vamos nessa, pessoal!" Na segunda-feira, investigadores federais ainda trabalhavam para determinar o que fez a aeronave sair de sua rota. Até o momento, não houve novas informações sobre o estado de saúde dos feridos ou a identidade das vítimas fatais. A aeronave, que decolou de San Juan, Porto Rico, era um cargueiro Boeing 767-300 com 32 anos de uso; segundo o serviço de rastreamento de voos Flightradar24, o avião havia operado anteriormente como aeronave de passageiros para diversas companhias aéreas entre 1994 e 2015. A companhia aérea de carga 21 Air operava a aeronave para a Amazon, informou um porta-voz da Amazon em comunicado. "Estamos consternados com o acidente envolvendo uma de nossas aeronaves em Miami hoje", declarou a 21 Air em seu site. "Expressamos nossas mais profundas condolências às famílias e aos entes queridos daqueles que perderam a vida", acrescentou a empresa. Novas fotos mostram danos à aeronave CHANDAN KHANNA / AFP Fotos do acidente mostravam o avião apoiado sobre a barriga, com a cauda elevada. O lado direito da aeronave apresentava o que pareciam ser marcas de queimadura. O Flightradar24 indicou que o avião estava a 207 km/h quando saiu da pista. O que aconteceu O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB, na sigla em inglês), órgão responsável pela investigação de acidentes de aviação civil nos Estados Unidos, informou que enviou uma equipe liderada por sua presidente, Jennifer Homendy, para investigar a queda, e que realizaria sua primeira coletiva de imprensa em Miami na segunda-feira. Na entrevista, ela afirmou que as caixas-pretas do avião foram recuperadas e serão analisadas. — Conseguimos recuperar o gravador de dados de voo e o gravador de voz da cabine — declarou. Na ocasião, ela também forneceu informações sobre os mortos. As cinco vítimas estavam dentro de uma van que transportava sete pessoas de uma empresa de limpeza, que foi atingida fora da área do aeroporto. Outro veículo, um SUV, também foi atingido. A Amazon ainda está reunindo detalhes sobre o incidente, disse a porta-voz da empresa, Kelly Nantel. "Estamos trabalhando em estreita colaboração com as autoridades e os órgãos locais para entender exatamente o que aconteceu", afirmou a porta-voz. "Neste momento, nossa prioridade absoluta é a segurança, o bem-estar e o cuidado com todos os envolvidos", acrescentou. A Boeing e a 21 Air também declararam que cooperariam com as investigações governamentais sobre o acidente. Hipóteses analisadas Especialistas afirmaram que, entre os fatores que os investigadores provavelmente considerarão, está a questão de saber se a aeronave percorreu uma distância excessiva antes de tocar o solo. Normalmente, a zona de toque situa-se nos primeiros 914 metros de uma pista. Estudiosos na áerea da aviação indicaram que os investigadores tentarão determinar exatamente onde o avião pousou e, caso tenha sido fora da zona de toque designada, por que os pilotos não abortaram o pouso e realizaram uma nova aproximação. Os investigadores também examinarão a velocidade e a frenagem da aeronave, as condições meteorológicas e de vento, o estado mecânico do avião e outros fatores que possam ter contribuído para a excursão de pista fatal. O especialista em segurança aérea Steve Arroyo explicou à AP que, se o avião ultrapassou essa zona, deveria ter abortado o pouso e realizado uma nova aproximação para outra tentativa. Mary Schiavo, piloto e ex-inspetora-geral do Departamento de Transportes, observou que um vídeo publicado na internet mostra o avião da Amazon "flutuando" sobre a pista por um período prolongado, sem elevar o nariz para forçar o contato do trem de pouso principal com o solo. Não chovia no momento, mas nuvens de tempestade escuras se aproximavam e ventos fortes haviam sido relatados. Schiavo observou que um vento de cauda poderia ter contribuído para que a aeronave deslizasse por uma distância maior ao longo da pista. — Um vento de cauda certamente agravaria os problemas se você já tivesse perdido uma boa parte da pista ao não tocar o solo e pousar imediatamente — afirmou Schiavo. O Aeroporto de Miami não dispõe de sistemas de parada de emergência — que, segundo a FAA, foram instalados em mais de 120 aeroportos em todo o país — projetados para parar com segurança aeronaves que ultrapassam o final da pista. A FAA estima que essas áreas de material leve e deformável, situadas nas extremidades das pistas, ajudaram a salvar pelo menos 497 vidas a bordo de aeronaves que ultrapassaram os limites da pista. Imagens do acidente mostravam a aeronave da Prime Air parada ao lado de uma via, próxima a dois caminhões. A aeronave parecia estar apoiada sobre a fuselagem e permanecia praticamente intacta, apesar do incêndio. O voo foi operado pela 21 Air, uma companhia aérea de carga sediada na Carolina do Norte. O Boeing 767 foi originalmente fabricado para transportar passageiros e operou para diversas companhias aéreas por mais de duas décadas antes de ser convertido em cargueiro em 2015, segundo o site de rastreamento de voos Flightradar24. Schiavo indicou que o NTSB também examinaria minuciosamente o histórico de manutenção da aeronave, especialmente considerando seu histórico de propriedade estrangeira, inclusive por uma empresa russa. Mais de 160 voos foram cancelados e quase 325 sofreram atrasos até a noite de domingo, segundo o FlightAware, site que monitora interrupções em voos. Autoridades do Aeroporto Internacional de Orlando, localizado a mais de 320 km ao norte de Miami, informaram que alguns voos foram desviados para o local. O incidente de domingo não é o primeiro caso de acidente fatal envolvendo uma aeronave da Amazon Prime Air. Em fevereiro de 2019, o voo 3591 da Atlas Air — um cargueiro Boeing 767-300 que operava para a Amazon Prime Air na rota de Miami para Houston — entrou em descida rápida e caiu na Trinity Bay, no Texas. Todas as três pessoas a bordo morreram.

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