O problema não é errar. É esperar que tudo dê certo no tempo que você quer

 

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Sabe quando parece que nada encaixa? Você manda mensagem e não respondem. Faz proposta e não volta. Bate na porta e… silêncio. Dá vontade de fazer um balanço dramático e concluir: “Nada dá certo”.

Mas será?

Fico pensando que o nosso problema não seja exatamente o que dá errado. É o quanto a gente espera que muitas coisas deem certo ao mesmo tempo e no tempo que a gente quer.

E, convenhamos, isso é quase uma expectativa irrealista. A vida não costuma funcionar em sequência perfeita do que a gente quer acertar. Ela funciona mais como tentativa, erro, tentativa, erro… E, de vez em quando, um acerto bonito.

E, curiosamente, esse um acerto pode mudar tudo.

Pensa naquele cantor de um hit só. Você sabe quem é. A pessoa lançou uma música que grudou na cabeça do mundo inteiro e pronto. Aquilo sustentou carreira, agenda, reconhecimento por anos. Não foram vinte sucessos. Foi um.

Não é sobre ser medíocre, mas precisamos entender que mesmo se “poucas” coisas são reconhecidas como aquelas que deram certo, está tudo bem.

A vida, muitas vezes, é assim também.

A gente fica obcecada em fazer tudo dar certo, em acertar todas as flechas, em ter consistência impecável. Mas a conta é também outra. É sobre continuar lançando flechas mesmo sabendo que várias vão cair no caminho, porque basta uma acertar o alvo para abrir uma trilha inteira.

Aliás, se a gente for bem literal… a nossa própria existência já é prova disso. Entre milhões de possibilidades, bastou um espermatozoide chegar lá. Não foi uma disputa de consistência. Foi um único acerto no meio de muitos que não foram. E, ainda assim, a gente cresce acreditando que precisa acertar sempre.

Tenho encontrado muitas pessoas que sofrem profundamente com o “não”. Com a porta fechada, com a resposta que não veio, com a oportunidade que não se concretizou. E eu entendo. Frustra. Dói. Mexe com a nossa sensação de valor, de capacidade, de direção. Mas a gente também precisa reposicionar esse lugar do erro.

Porque o não não é exceção. Ele é parte da regra do jogo. O improvável, na verdade, é o sim.

Um atleta não faz uma maratona perfeita de primeira. Ele corre dezenas. Ajusta respiração, tempo, estratégia. Erra ritmo. Erra cálculo. Até que, em uma corrida específica, tudo se alinha e é essa que vira medalha, reconhecimento, história no meio de tantas outras falhas e “nãos”.

Basta um sim. Se mais vierem, ótimo. Mas este um já valida muita coisa. E isso não diminui todo o resto. Pelo contrário. É justamente o acúmulo de tentativas que prepara o terreno para aquele momento em que dá certo.

Um dos nossos desafios é aprender a conviver melhor com o processo, sem transformar cada tentativa frustrada em um veredito final sobre quem somos.

E também sem idealizar demais o acerto.

Porque, sejamos honestas: mesmo quando dá certo, nem sempre é exatamente como imaginamos. Vem muitas vezes diferente e fora do roteiro. Mas vem. E, às vezes, é isso que sustenta a caminhada por muito tempo.

Então, se hoje parece que nada está funcionando, respira. Pode ser que você esteja exatamente no meio do caminho das flechas que ainda não acertaram.

Mas basta uma.

E, quando ela vier, você vai perceber que não era sobre fazer tudo dar certo. Era sobre não parar antes disso acontecer.