Sem pista para aviões nem trilhos, o principado dos Pirineus depende de estradas vindas da Espanha e da França e de ônibus que chegam até de Portugal 468 quilômetros quadrados: esse é todo o território de Andorra, encravado nos Pirineus entre a Espanha e a França.
Nesse espaço não há pista de avião nem trilho de trem, e quem visita o principado chega pela estrada, de carro ou de ônibus, cruzando as montanhas. Segundo a Andorra Turisme, agência oficial de promoção do país, é o relevo que explica por que ele é um país sem aeroporto.
A geografia explica as duas ausências. O guia oficial de acesso afirma que Andorra não tem aeroporto por causa da localização na montanha.
O território vai de cerca de 940 metros de altitude, em Sant Julià de Lòria, a 2.942 metros no pico de Comapedrosa. Pelas informações essenciais publicadas pela Andorra Turisme, cerca de 92% da área é floresta e só 8% é urbanizada.
Os trilhos também ficam do lado de fora da fronteira. A estação mais próxima está na França, em L’Hospitalet-près-l’Andorre, a cerca de 11 quilômetros de estrada da divisa.
Ela recebe trens de cidades do sul francês, como Toulouse. Do lado espanhol, a referência é a estação Lleida Pirineus, onde param os trens de alta velocidade vindos de Madri e de Barcelona.
Nos dois casos, o último trecho é feito de ônibus ou de carro. Todo o transporte de visitantes passa por rodovias de montanha, já que Andorra só é acessível pela França ou pela Espanha.
Quem vem do lado espanhol pega a estrada N-145 a partir de La Seu d’Urgell. Do lado francês, as rotas usam as estradas N-22, N-20 e N-320, que atravessa o passo e o túnel de Puymorens.
Os postos de fronteira funcionam 24 horas, e o principado não integra o espaço Schengen. O aeroporto que leva o nome do país, o Andorra-La Seu, fica em território espanhol, em La Seu d’Urgell, colado à fronteira.
Dele saem voos da Air Nostrum para destinos como Palma de Mallorca e Madri, além de voos particulares. A agência oficial lista outros terminais num raio de cerca de 200 quilômetros, como Toulouse-Blagnac, Barcelona-El Prat, Girona e Perpignan.
O tamanho da pista que cada avião exige ajuda a entender por que nem todo terreno comporta um aeroporto. O maior avião de passageiros do mundo precisa de quase 3 km de pista para decolar…➔
Linhas regulares internacionais ligam as cidades andorranas a mais de vinte destinos na Espanha, segundo o guia oficial. Entre eles estão Barcelona, Lleida, Zaragoza, Burgos, Soria, Valladolid e a vizinha La Seu d’Urgell.
Na França, Toulouse também faz parte da rede de ônibus que sobe a serra. Portugal também aparece nesse mapa.
Há rotas para Bragança, Mirandela, Vila Real, Viana do Castelo, Porto, Guimarães e Vila Praia de Âncora. O português está entre as línguas mais faladas no país, ao lado do castelhano e do francês.
A orientação oficial é conferir destinos, horários e preços com cada empresa de ônibus antes de comprar a passagem. Dentro do país, o transporte público segue a mesma lógica rodoviária.
A rede nacional tem sete linhas regulares numeradas, além de um ônibus expresso e de um noturno, com saídas todos os dias. Elas conectam os principais pontos das sete paróquias, a divisão administrativa andorrana.
Os detalhes ficam na página de transporte público da Andorra Turisme. Neve, antes de tudo.
De 1º de novembro a 15 de maio, quem dirige em condições de inverno precisa levar correntes ou equipamento similar. A exceção são os carros com pneus de neve ou do tipo M/S, segundo a página oficial de informações ao visitante.
A exigência, portanto, já vale nesta temporada. As condições das estradas em tempo real são divulgadas no serviço oficial de mobilidade, mobilitat.ad.
Há também informações práticas para a viagem. O catalão é a língua oficial, a moeda é o euro e o censo de 2023 contou 85.101 habitantes.
Como a entrada passa obrigatoriamente pela Espanha ou pela França, o viajante brasileiro precisa cumprir as regras de ingresso desses países no caminho. Chegar a Andorra, no fim, já é parte do passeio: num país sem aeroporto, a viagem começa na subida da serra, até as cidades encaixadas nos vales.
Sem atalho pelo céu, a estrada vira a primeira paisagem dos Pirineus que o visitante conhece. Se você está planejando conhecer o principado, reserve tempo para o trajeto, confira a estrada antes de sair e curta a subida com calma.
Os Pirineus também estiveram no noticiário europeu neste ano por outro motivo. Em julho, incêndios atingiram a base da cordilheira do lado francês e forçaram evacuações na região.
Incêndios forçam evacuações no sul da Europa➔
O Antogonista