Nas redes sociais, vídeos com a hashtag de "achados no Paraguai" ou vlogs detalhando "compras de tecnologia e beleza" somam milhões de visualizações.
Longe do antigo estigma de corridas caóticas por galerias lotadas, criadores de conteúdo agora registram tours estéticos por lojas amplas, mostram o teste de modeladores de cabelo de última geração, câmeras de alta performance e dispositivos de autocuidado.
O hábito de atravessar a ponte para comprar ganhou contornos de turismo de experiência e lifestyle.
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Essa movimentação viral reflete uma mudança profunda no perfil do consumidor latino-americano.
Embora a vantagem econômica ainda seja um fator atrativo, o público atual — hiperconectado e informado — não busca apenas o menor preço.
A exigência agora gira em torno de conveniência, segurança, curadoria de produtos e ambientes que ofereçam uma jornada de compra fluida e agradável, similar aos grandes centros mundiais de varejo.
Essa evolução comportamental forçou um movimento de modernização nos centros comerciais tradicionais da região.
Redes históricas do comércio de fronteira precisaram reformular a arquitetura de suas lojas, investir na profissionalização das equipes e integrar o ambiente físico ao digital para atender a um cliente que já chega ao balcão com a pesquisa feita na tela do celular.
É o caso da Nissei, marca fundada nos anos 1980 em Ciudad del Este, que acompanhou as diferentes fases desse mercado e precisou redesenhar sua operação para dialogar com esse novo perfil de consumo.
A transformação reflete uma transição do varejo puramente transacional para o focado em relacionamento e hospitalidade, onde o ato de comprar se conecta ao bem-estar do cliente.
"O consumidor atual não busca apenas o produto em si, mas a segurança, o conforto e uma jornada sem atritos", avalia Maico Pian, diretor da empresa.
"O varejo da região precisou evoluir de um modelo baseado historicamente no volume de vendas para uma estrutura centrada na experiência e na conveniência, acompanhando esse novo estilo de vida mais conectado e exigente", acrescenta.
Com isso, o garimpo de novidades de beleza e tecnologia ganha outro ritmo, integrando-se à experiência do próprio roteiro de viagem sem a afobação de antigamente.
"Hoje, o produto é apenas uma parte da história.
O que fica na memória de quem visita a cidade é a sensação de ser bem acolhido e de viver um momento sem correria", ressalta Maico.
"Quando o ambiente é pensado para cuidar das pessoas, a compra deixa de ser uma obrigação e passa a fazer parte da lembrança da viagem", completa.
Maico Pian, diretor da Nissei, fala sobre a busca por conveniência, acolhimento e experiência no novo turismo de compras
Divulgação
O novo 'haul': como a busca por beleza e tech transformou a viagem de compras na fronteira
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