O mundo faz o L: Brasil assume a vanguarda da resistência à extrema direita

O mundo faz o L: Brasil assume a vanguarda da resistência à extrema direita - Foto
Fonte da notícia: PT PT

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último domingo, 25, transformou o Brasil num símbolo global de esperança e de resistência contra a extrema direita e na defesa da democracia. A mobilização digital e as multidões de brasileiras e brasileiros que tomaram as ruas de todo o Brasil entre o primeiro e o segundo turno, garantindo uma virada inédita de 10 milhões de votos a mais para Lula na fase final da disputa, fizeram com que o “L” se espalhasse pelo mundo como gesto de luta e liberdade. 

O resultado eleitoral do Brasil têm inspirado manifestações em outros países e o engajamento digital de eleitores. Em diferentes idiomas, português, espanhol, francês e italiano, L.U.L.A também se transformou, nas redes, num acrônimo: Liga Universal da Luta Antifascista.

Lula virou sinônimo de Luta. Ainda antes da confirmação da reeleição do petista, a ex-prefeita de Barcelona e candidata nas eleições espanholas pela Frente Ampla, Ada Colau, pediu durante um comício que seus apoiadores fizessem o L “pela esperança, pela Palestina livre, por Lula no Brasil e pela Frente Ampla”. 

Um post compartilhado por Ada Colau (@adacolau) Depois do resultado, o primeiro-ministro Pedro Sánchez, candidato pelo Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), disse que a vitória de Lula representa a “virada do progressismo global” e que, “se o Brasil conseguiu, a Espanha também consegue”.

Ilustrações do premiê fazendo o L têm inundado as redes sociais, assim como uma logo alternativa com o L. As eleições espanholas serão em 29 de novembro, e as pesquisas indicam favoritismo do Partido Popular (PP), da direita conservadora.

Que empiece la campaña brasilespañola Algo parecido acontece na França.

As pesquisas para a eleição presidencial que será realizada em 2027 apontam Marine Le Pen, do Reagrupamento Nacional, de extrema-direita, como favorita. Depois da vitória de Lula, se espalharam pelas redes sociais vídeos de apoiadores de Jean-Luc Mélenchon, líder do partido de esquerda França Insubmissa, fazendo dois Ls com as mãos e depois transformando o gesto em um M.

os franceses fazendo o L e depois transformando no M de melenchon. realmente virou símbolo de resistência 🗣️

O coordenador da França Insubmissa, Manuel Bompard, disse à emissora LCI que o aumento da participação popular foi fundamental para a vitória de Lula, e completou: “Quero dizer ao povo francês que o que os brasileiros fizeram, nós também podemos fazer na França”. A candidata ecologista Marine Tondelier afirmou que a virada de Lula “lembra que a vitória da extrema direita nunca está garantida de antemão”. 

Outro candidato, o socialista Raphaël Glucksmann, disse que o resultado mostra que “na política, não existe fatalidade” quando há “mobilização popular e cidadã”. Já o candidato do Partido Comunista Fabien Roussel chamou a reeleição de Lula de “extraordinária mensagem de esperança” que lembra que “a extrema direita não é uma fatalidade”.

Cenas semelhantes se repetiram na Argentina, no México e no Chile. O gesto do L foi criado pelo publicitário Mário Milani durante a campanha presidencial de 1989.

Segundo o próprio Milani, o L não é só de Lula, mas também de “luta” e, principalmente, de “liberdade”.  Um post compartilhado por Mídia NINJA (@midianinja)

Além dos vídeos de pessoas fazendo o L em todas as partes do mundo, aguns desses posts que tomaram as redes sociais nesta semana usam a trilha sonora do filme “Jogos Vorazes” e associam Lula à personagem Katniss, que a partir do Distrito 12 lidera uma revolução contra o governo fascista da Capital.

Algumas publicações dizem que o Brasil é o “Distrito 13”, em referência ao número do PT. Se anche tu hai seguito la campagna di #lula2026étetrala e ne aspettavi una in Italia, seek no more:

abbiamo l’#esercitodellasinistra !!! 🎉 Para a cientista política Carolina Botelho, associada ao Laboratório de Estudos Eleitorais, de Comunicação Política e Opinião Pública da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a virada histórica de Lula do primeiro para o segundo turno coloca o Brasil na vanguarda de um movimento global de resistência. 

O país foi o primeiro na última década que foi governado pela extrema direita e depois a venceu em dois ciclos eleitorais seguidos. Além disso, Lula contrariou uma tendência de que líderes de esquerda ou direita não conseguem mais se reeleger.

Isso, por si só, já acende os holofotes das democracias sobre o Brasil, mas a mobilização pela virada nas ruas e nas redes, a redução histórica das abstenções e as cenas marcantes da eleição aumentam a projeção do país como fonte de inspiração para um novo capítulo da história política em nível global.

“A gente precisa entender isso como um novo capítulo mesmo para a política internacional, a ser observado, estudado e entendido pelas nações que estão atravessando essa ofensiva reacionária e neofascista”, afirma Botelho. Segundo ela, o feito se torna ainda mais grandioso ao levar em conta que “a gente tava lutando contra vários tsunamis internos e externos”.

“Além de resistir ao fascismo e à extrema direita nacional, a gente conseguiu de alguma forma frear uma ofensiva internacional, incluindo as big techs e poderes de muita grandeza. É como se a gente tivesse conseguido o impossível”, diz a cientista política.

Ela também cita a ofensiva de grandes corporações, do mercado financeiro e de setores da imprensa nacional. Botelho também afirma que é preciso levar em conta o papel fundamental da sociedade civil.

Para ela, todo esse movimento influencia países vizinhos e por todo o mundo: “O presidente Lula, mais uma vez, alçou o Brasil a um patamar de país a ser copiado em muitas questões”. Para a especialista, neste momento, o Brasil é um exemplo para o mundo democrático.

O impacto foi tamanho que Janones foi convidado pela campanha de Pedro Sánchez para ajudar nas estratégias digitais do PSOE. A presidenta do México, Claudia Sheinbaum, que fez o L ao celebrar a vitória de Lula no domingo, também convidou o deputado para uma visita de trabalho.

Na França, apoiadores de Mélenchon criaram o canal “Les Soldats Insoumis” (“Soldados Insubmissos”, em português), que reuniu mais de 15 mil membros somente até terça-feira, 27, e levou à criação do canal oficial “L’équipe de Mélenchon officielle”. “Nós vimos bem o que aconteceu no Brasil e não se preocupem, vamos aplicar um método que funcione”, disse o deputado Antoine Laument, que organiza o grupo.

Después del éxito del Ejército de Lula, ya se está armando el Ejército del Peronismo. Se pueden sumar:

— Pablo Duggan (@pabloduggan) October 26, 2026 O modelo de militância digital implementado no Brasil também está sendo observado por apoiadores do Partido Democrata dos Estados Unidos.

A influenciadora Jess Craven publicou um vídeo em seu instagram entitulado “O que podemos aprender com o Brasil?”. Um post compartilhado por Jessica Craven (@jesscraven101)

Publicação Original PT pt.org.br
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →