O motivo pelo qual o grande terremoto do Afeganistão não causou devastação

O motivo pelo qual o grande terremoto do Afeganistão não causou devastação

Fonte: Bandeira



O terremoto de magnitude 6,1 que atingiu no sábado a região do Hindu Kush, no Afeganistão, só não teve efeitos devastadores devido à grande profundidade, informaram hoje agências sismológicas internacionais. O tremor gerou grande preocupação inicial devido ao histórico de alta vulnerabilidade sísmica dessa região asiática.

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O abalo foi tão intenso que cruzou fronteiras nacionais, sendo claramente sentido por moradores da capital afegã, Cabul, em boa parte do Paquistão e em cidades no norte da Índia. Porém, não há registros de mortos ou feridos graves. Oficialmente, 20 pessoas ficaram feridas no distrito afegão de Musakhail. E 125 casas sofreram estragos estruturais na província de Baluchistão.

O impacto do sismo afegão se torna claro quando sua energia é comparada à liberada pelos terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram a Venezuela, na semana passada.

O sismo venezuelano de 7,2 foi cerca de 45 vezes mais poderoso que o de 6,1. A diferença é ainda mais brutal quando comparada ao evento de 7,5, que foi 126 vezes mais poderoso que o tremor registrado no território afegão, liberando quase o triplo de energia do sismo de 7,2.

Mas, segundo sismólogos, o fator determinante para que o evento no Afeganistão não se transformasse numa tragédia humanitária como a da Venezuela foi a localização do seu hipocentro, isto é, o ponto exato no interior da Terra onde o terremoto de fato começa.

De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o abalo no Hindu Kush ocorreu a uma profundidade de mais de 200 quilômetros abaixo da superfície terrestre. Em contraste, os sismos na Venezuela foram extremamente rasos, atingindo a crosta a profundidades de apenas 13 e dez quilômetros, despejando toda a força do impacto diretamente sobre as cidades.

Cientificamente, a profundidade altera de forma drástica a maneira como as ondas de energia impactam as construções humanas. Conforme os dados consolidados pelo Sistema Global de Alerta e Coordenação de Desastres (ligado à ONU e a UE), sismos muito profundos dissipam a maior parte de sua força através das camadas de rocha da crosta antes de alcançarem o solo.

Por essa razão, a destruição de edifícios e as falhas no terreno foram mínimas no território afegão, enquanto o evento raso na Venezuela causou colapsos em massa de edifícios na capital, em La Guaira e deixou milhares de vítimas.

Por outro lado, essa mesma profundidade faz com que as ondas sísmicas viajem por distâncias geográficas muito maiores do que ocorreria em um tremor menor ou mais raso. O movimento da terra se espalhou de forma concêntrica por centenas de quilômetros a partir do Afeganistão.

Esse alcance geográfico amplo é uma característica típica de eventos de magnitude superior a seis, levando pânico e prejuízos menores em três países diferentes, embora sem a força letal e destrutiva ocorrida nos sismos venezuelanos.