“O mercado não tem partido, ele olha para propostas concretas”, afirmou Milton Maluhy FIlho, CEO do Itaú (ITUB4) em coletiva de imprensa sobre os resultados do terceiro trimestre do banco. O executivo teceu comentários sobre o cenário macroeconômico brasileiro e os desafios para a operação em um ambiente ainda com juros elevados e câmbio volátil.
Maluhy Filho afirma que há muita incerteza no momento e que isso faz com que investidores sejam mais cautelosos com seu portfólio. Por isso, um aumento de definições e previsibilidade poderia fazer com que o mercado de capitais se torne mais fechado ou comece a retomar operações.
Leia tambémItaú (ITUB4) entrega mais um tri sólido e reforça “favoritismo” do mercado com açõesEntre os principais destaques do trimestre estiveram o crescimento saudável da carteira de crédito, a geração de capital e, principalmente, a manutenção da qualidade dos ativosEntre os objetivos que a nova gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia ter, perseguir novamente grau de investimento estaria entre os primeiros que o executivo cita.
O CEO considera que o ponto central para a economia deve ser perseguir o fiscal e o social “de mãos dadas”, uma vez que a volatilidade e desvalorização do câmbio pode aumentar a inflação.“O mercado todo já refaz suas projeções para inflação, para bem distante do centro da meta”, afirma.
Mudança na jornada de trabalho e combustível são pontos que já aumentariam a inflação, elenca o executivo. “Os juros devem continuar em um patamar restritivo por um tempo prolongado e a mensagem central é que quando você tem um efeito inflacionário, ele é um imposto regressivo para as famílias porque consome o poder de compra.
É do interesse de todos que a inflação fique controlada e baixa e o juros é a medida para isso. Para quem é bom os juros baixos? Para todos os tomadores de crédito, as famílias”, diz.
Mesmo com potenciais desafios maiores no ano que vem, o executivo considera que o banco está preparado. “Quando olhamos o cenário para 2027, as condições são piores”, afirma o executivo.
Um dos recursos que tem sido destacado pelo banco como responsável pela resiliência dos dados financeiros tem sido garantir que acesso ao crédito seja compatível com o momento do cliente, em especial pessoa física. “Não somos imunes, temos uma carteira de R$ 1,5 trilhão no Brasil, mas um portfólio focado em clientes mais resilientes, com produtos compatíveis no varejo”, diz.
Sobre as despesas do banco, o CEO afirma que os custos não tem uma alavanca específica que resolve problemas, mas sim um grande programa de eficiência no banco. “Isso passa por priorização, renúncias, tecnologia e transformação”, diz, citando algumas das frentes que o banco investe.
“O exercício que só depende da gente em um cenário macro desafiador é o custo. Vamos continuar perseguindo a disciplina”, afirma.
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