É um roteiro conhecido nos últimos 24 anos, mas não é um padrão. O PT ganha, a bolsa cai e o dólar sobe.
A reeleição de Lula provocou um terremoto no mercado financeiro. Na segunda-feira, o Ibovespa desabou 13,88%, enquanto investidores estrangeiros fizeram a maior compra diária de dólares desde 2013.
Foram US$ 7,4 bilhões, apostando contra o real. Hoje, porém, a bolsa avançava 0,59% no início do pregão, em movimento de correção. Segundo economistas o tombo não se deu somente pelo medo da continuidade da política econômicas lulista, mas por uma aposta exagerada na vitória de Flávio.
O mercado vendeu investimentos que tombaram com a derrota do bolsonarismo. Sobrou torcida e faltou técnica.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, atribuiu a turbulência às posições assumidas pelos investidores antes da eleição. Segundo ele, a reação refletiu ajustes financeiros, e não uma deterioração dos fundamentos econômicos.
O episódio recupera outras reações após às eleições. Em 2002, a expressão “risco Lula” dominou parte do noticiário.
Em 2014, após a reeleição de Dilma Rousseff, o El País estampou que o mercado financeiro “castigava” a vitória petista. Expressões como “risco”, “temor”, “nervosismo”, “pressão” e “instabilidade” constroem uma narrativa de ameaça.
As exceções seriam 2006, quando o mercado já esperava a reeleição de Lula e 2022, pois a instabilidade contínua do bolsonarismo não era aceitável para alguns setores da economia. Isso não significa que as preocupações fiscais sejam irrelevantes ou que toda reação negativa seja injustificada.
O problema é quando as expectativas de investidores passam a representar, quase automaticamente, o diagnóstico da economia nacional. Agora, Lula sinaliza moderação e busca recompor sua base política, enquanto enfrenta um Congresso hostil e o desafio fiscal.
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