O girassol realmente acompanha o movimento do Sol? Veja o que a ciência descobriu

O girassol realmente acompanha o movimento do Sol? Veja o que a ciência descobriu - Foto
Fonte da notícia: Globo Rural Globo Rural

Quem já viu uma plantação de girassóis provavelmente reparou que as flores parecem apontar todas para a mesma direção. A fama de “seguir o Sol” também não surgiu por acaso: durante uma fase do desenvolvimento, as inflorescências realmente mudam de posição ao longo do dia, acompanhando o deslocamento aparente do astro no céu. O movimento, porém, tem hora para começar e para acabar. Enquanto a planta ainda está crescendo, a inflorescência se desloca de leste para oeste durante o dia e retorna para o leste à noite. Depois que a flor amadurece, ela deixa de acompanhar o Sol e permanece, em geral, voltada para o leste. O fenômeno é conhecido como heliotropismo e acontece por causa do crescimento desigual dos dois lados do caule. Durante o dia, o lado leste cresce mais rápido, fazendo a flor se inclinar para oeste. À noite, o processo se inverte: o lado oeste cresce mais e a inflorescência retorna para o leste. Leia também: Primavera em 2026: saiba quando começa e como será a estação Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Davis, e da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, mostrou que esse movimento não depende apenas da luz que a planta recebe naquele momento. Nos experimentos, os girassóis continuaram apresentando movimentos por alguns dias mesmo sob iluminação constante. Para os pesquisadores, o resultado indica a participação do relógio circadiano, um mecanismo interno que ajuda a planta a organizar processos de acordo com o ciclo de aproximadamente 24 horas. É esse relógio que ajuda o girassol a se reposicionar durante a noite, antes do amanhecer. O movimento não acontece de uma vez: ele é resultado da diferença de crescimento entre os dois lados do caule. Mas como a planta percebe o Sol? A Universidade da Califórnia, em Davis, mostrou que a história é mais complicada. A equipe comparou a resposta de girassóis acompanhando o Sol no campo com a de plantas submetidas ao fototropismo em condições controladas. Os padrões de expressão dos genes foram diferentes nos dois casos. Os resultados indicaram que o heliotropismo não é simplesmente uma versão mais sofisticada do fototropismo e envolve diferentes vias de sinalização luminosa. Os pesquisadores também observaram mudanças na atividade dos genes durante os movimentos diurno e noturno. Mesmo assim, não encontraram um único mecanismo capaz de explicar como o girassol faz o rastreamento solar. Por enquanto, o que se sabe é que o movimento envolve a percepção da luz, o crescimento desigual do caule e o relógio circadiano. A forma como esses processos trabalham juntos ainda é objeto de estudo. Movimento envolve a percepção da luz, o crescimento desigual do caule e o relógio circadiano Canva/Creative Commons Por que a flor adulta fica virada para o leste? Quando o girassol amadurece, a movimentação para de acontecer. Em vez de continuar acompanhando o Sol, a inflorescência fica voltada principalmente para o leste. Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Eötvös Loránd, na Hungria, ajuda a dimensionar esse padrão. Publicado em 2022, o trabalho analisou cerca de 2.800 cabeças de girassol em 14 plantações, fotografadas por drones. A orientação média foi de 89,5 graus, praticamente o leste geográfico. Isso não significa, porém, que as flores estejam necessariamente apontando para o ponto exato onde o Sol nasce. Essa posição varia conforme a época do ano e a localização. Os pesquisadores também encontraram exceções. Em uma das plantações analisadas, por exemplo, as flores estavam voltadas para o sul. O local tinha períodos de sombreamento, e essa posição permitia aproveitar melhor a luz disponível. A luz também aparece como uma possível explicação para a preferência pelo leste. Estudos anteriores indicaram que, em determinadas condições de radiação e nebulosidade, essa orientação pode fazer a inflorescência absorver mais energia ao longo do dia. Outra hipótese envolve os polinizadores. Pesquisas mostraram que flores voltadas para o leste podem ficar mais aquecidas nas primeiras horas da manhã, quando abelhas e outros polinizadores estão começando a visitar a plantação. Esse aquecimento pode influenciar a visitação e alguns aspectos da reprodução da planta. Até o vento já entrou na investigação. Os pesquisadores de Eötvös Loránd também analisaram dados de diferentes regiões para verificar se os ventos predominantes poderiam explicar a orientação das flores maduras. A hipótese não se sustentou: a direção dos ventos não apresentou uma relação consistente com a posição leste dos girassóis.

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site Globo Rural