“O funcionário que mais usa tokens de IA dentro do Google no mundo é brasileiro”, diz Fábio Coelho

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Fonte da notícia: Epoca Negócios Epoca Negócios

O funcionário que mais usa tokens de inteligência artificial generativa do Google no mundo é brasileiro. Quem revelou o feito foi Fábio Coelho, presidente do Google no Brasil, durante o evento Vale do Silício @Brasil, realizado nesta quarta-feiram 16 de setembro, em São Paulo. Durante conversa com David Vélez, fundador e CEO do Nubank, Coelho revelou que o profissional do Brasil foi mapeado globalmente.

“Fui aprender o que ele estava fazendo, porque eu acredito que as mudanças trazidas pela IA virão de todos os lados, não só top down”, afirmou Coelho.

A discussão sobre o uso da inteligência artificial dentro das empresas ganhou outro exemplo quando Vélez contou o que está acontecendo no Nubank. Segundo o executivo, o caso mais intenso de uso da tecnologia dentro da fintech não veio da engenharia ou de uma área de produto, mas do time de auditoria interna. Para Vélez, exemplos como esses mostram como ainda é difícil prever de onde virão as principais transformações provocadas pela tecnologia. O CEO afirma que as empresas estão apenas no começo desse processo e que mesmo as companhias mais sofisticadas do mundo ainda não sabem exatamente qual será o impacto da IA sobre seus negócios. “Estamos no começo e em um momento de construção. Nenhuma das empresas mais sofisticadas do mundo sabe a resposta”, afirmou. Na avaliação do fundador do Nubank, um dos principais riscos para empresas já estabelecidas é subestimar a velocidade da transformação. Vélez comparou o momento atual à chegada dos smartphones, revolução tecnológica da qual o próprio Nubank acabou se beneficiando. “Essa revolução da IA vai ser de 10 a 100 vezes mais rápida que a do smartphone. A difusão vai ser muito mais rápida e o custo de ser incumbente vai ser muito maior”, disse. Segundo Vélez, um dos erros cometidos por empresas tradicionais na transição para o smartphone foi tratar a mudança principalmente como um desafio de experiência do usuário. Bancos criaram sites, aplicativos e até operações digitais separadas, mas, em sua avaliação, não necessariamente transformaram processos, fluxos de trabalho e cultura. É justamente esse erro que o Nubank tenta evitar agora. Vélez afirmou que a empresa mapeou cerca de 120 processos para redesenhá-los tendo a IA no centro. A lista vai de procedimentos de KYC – sigla em inglês para “conheça seu cliente” – e modelos de crédito até a maneira como as equipes desenvolvem produtos e trabalham com design. “Os nossos 10 mil funcionários estão refundando o Nubank com IA”, afirmou. Do ceticismo ao “código vermelho” A mudança, porém, não aconteceu imediatamente após o lançamento do ChatGPT. Vélez contou que o Nubank já utilizava machine learning e começou a experimentar os novos modelos de IA generativa, mas inicialmente encontrou limitações, principalmente na engenharia. Um dos obstáculos era a linguagem de programação Clojure, utilizada pela fintech. Segundo o executivo, em outubro de 2025 a percepção interna era de que os modelos disponíveis ainda não funcionavam suficientemente bem para as necessidades da companhia. A avaliação mudou no começo deste ano. Durante uma passagem pelo Vale do Silício, Vélez e outros executivos passaram um dia conversando com jovens fundadores de startups de inteligência artificial. A conclusão, segundo ele, foi de que o Nubank poderia estar ficando para trás. O ponto de inflexão veio com o Claude Opus 4.6. Vélez afirmou que o modelo elevou a capacidade da tecnologia a um patamar em que ela passou a funcionar para as necessidades da fintech. “Em fevereiro, a gente viu que era hora de fazer. Código vermelho. Agora vai e precisamos de um plano em que a organização inteira vai se reinventar”, afirmou. O Nubank já tinha algumas experiências próprias na área. Entre elas, segundo Vélez, está o desenvolvimento de um modelo fundacional próprio para análise de crédito, apoiado pela base de dados e pelo histórico de análises de clientes da companhia. “A IA não vai tirar o seu emprego” A adoção também enfrentou resistência interna. Curiosamente, de acordo com Vélez, o maior ceticismo apareceu inicialmente justamente entre funcionários das áreas mais técnicas. A percepção mudou à medida que os modelos evoluíram e começaram a entregar resultados considerados úteis pelas equipes. “Uma vez que o ceticismo foi embora, hoje a companhia inteira usa”, disse. Para o executivo, os ganhos de produtividade proporcionados pela IA colocam as empresas diante de duas possibilidades: fazer o mesmo trabalho com menos pessoas ou produzir mais mantendo o número de funcionários. Vélez afirma que o Nubank pretende seguir o segundo caminho. Segundo ele, a companhia quer continuar contratando, uma mensagem que também teve o efeito de reduzir internamente o receio de que a adoção de IA significasse cortes de postos de trabalho. “A IA não vai tirar o seu emprego. Um humano usando IA que vai”, afirmou. Nesse cenário, a capacidade de trabalhar com a tecnologia passa a ser considerada uma habilidade essencial dentro da fintech. Vélez disse que o Nubank quer tornar seus funcionários fluentes na tecnologia e oferecer tokens ilimitados para que as equipes possam experimentar as ferramentas. Mais Lidas

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