A manutenção de uma reunião prevista para discutir as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil será um dos principais sinais sobre os rumos da relação entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump após as eleições nos dois países. A avaliação é do ex-embaixador brasileiro em Washington e Londres Rubens Barbosa, que participou nesta terça-feira, 3, do programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal.
Para o diplomata, mais importante do que antecipar as consequências de uma eventual derrota republicana nas eleições legislativas americanas é observar se Washington manterá a disposição de negociar com o governo brasileiro. (este texto é um resumo do vídeo acima)
“Vamos ver se o que estava combinado antes da eleição, essa reunião para discutir, negociar as tarifas, vai acontecer”, afirmou Barbosa. Segundo ele, a realização ou o cancelamento do encontro ajudará a esclarecer a postura americana nos próximos meses.
“Isso vai dar um sinal de como vai ser a relação dos Estados Unidos com o Brasil”, disse. O ex-embaixador considera que o Departamento de Estado, mais do que a própria Casa Branca, terá papel central na condução dessa relação.
As polêmicas medidas de Donald Trump Por que a reunião sobre as tarifas será decisiva?
Na avaliação de Barbosa, o comportamento do governo americano diante das negociações comerciais permitirá identificar se haverá uma relação mais pragmática com Brasília. O ex-embaixador destacou a postura cautelosa adotada por integrantes do governo Trump em relação ao Brasil, inclusive após a ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos.
Para ele, a diplomacia americana tem evitado ampliar os atritos políticos com o governo Lula, postura que também deveria orientar o lado brasileiro. Continua após a publicidade
A realização da reunião, porém, ainda é uma incógnita. “Se houver reunião, nós vamos ter uma reunião, uma relação mais tranquila, mais pragmática”, afirmou.
Em contrapartida, segundo Barbosa, o eventual cancelamento indicaria uma mudança na dinâmica bilateral. Uma derrota de Trump no Congresso pode afetar o Brasil?
Questionado por Marcela Rahal sobre os efeitos de uma eventual vitória democrata nas duas casas do Congresso americano, Barbosa afirmou que o resultado poderá reduzir a capacidade de Trump de implementar sua agenda interna, mas ponderou que isso não significa necessariamente uma mudança na relação com o Brasil.
“Eu acho que nós vamos ter que aguardar o resultado”, disse. Na avaliação do ex-embaixador, o Brasil não ocupa atualmente uma posição central entre as prioridades de Washington.
Continua após a publicidade O diplomata considera que uma eventual perda da maioria republicana poderá deslocar parte das atenções de Trump para a política externa, sobretudo para a guerra com o Irã.
No cenário doméstico, Barbosa também prevê maior pressão sobre a Casa Branca, com possíveis investigações parlamentares envolvendo o governo e a família do presidente americano. Ele ressalvou, entretanto, que seria precipitado associar automaticamente essas mudanças a um endurecimento da postura dos Estados Unidos em relação ao Brasil.
O que explica o desgaste político de Trump? Barbosa também atribuiu a baixa popularidade do presidente americano a fatores internos, principalmente ao aumento do custo de vida e à insatisfação com a guerra no Irã.
Segundo o ex-embaixador, a elevação dos preços dos alimentos e da gasolina, além das políticas de imigração adotadas pelo governo, contribuiu para afastar parte dos eleitores, inclusive integrantes da comunidade latina que anteriormente apoiavam os republicanos. Continua após a publicidade
Para o diplomata, esse desgaste deverá influenciar tanto a composição do novo Congresso quanto a sucessão presidencial americana em 2028. Ele avalia que o Partido Republicano enfrentará dificuldades para manter a Casa Branca, embora considere que o movimento político liderado por Trump continuará relevante.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do telejornal VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
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