A rejeição aos candidatos e o receio de uma vitória do adversário podem ser determinantes para o comportamento do eleitor na reta final da disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Em entrevista ao programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, o diretor de inteligência da Quaest, Guilherme Russo, afirmou que, em uma eleição marcada pela resistência aos dois concorrentes, parte do eleitorado pode acabar escolhendo aquele que considera menos ruim. A mobilização provocada pelo medo de ver o adversário vencer, segundo ele, também pode levar eleitores a mudar de posição em cima da hora. (este texto é um resumo do vídeo acima) “Basicamente, a gente sempre diz: no final das contas, você tem que escolher. É a rejeição”, afirmou Russo. Para ele, quanto maior a percepção de que o candidato rejeitado tem chances de vencer, maior pode ser o incentivo para o eleitor se mobilizar. O fenômeno, ressaltou, não é exclusivo do Brasil e pode ocorrer em diferentes disputas eleitorais.
Lula x Flávio: surpresas e reviravoltas da corrida eleitoral
Como a rejeição pode influenciar a decisão? Na pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira, o percentual dos entrevistados que dizem não votar em Lula caiu de 53% para 47%. No caso de Flávio Bolsonaro, a rejeição recuou de 54% para 52%. Apesar da redução, Russo destacou que os dois candidatos ainda enfrentam índices elevados de resistência. Segundo o diretor, a pesquisa também mostra que parte dos eleitores começa a admitir a possibilidade de votar em um candidato que antes rejeitava. A diferença aparece quando o entrevistado é estimulado a considerar as opções disponíveis, em vez de responder espontaneamente sobre sua preferência.
Continua após a publicidade
Na avaliação dele, esse movimento ocorreu de forma um pouco mais favorável a Lula, embora ainda não seja possível afirmar que será suficiente para definir o resultado da eleição. O que explica a aproximação de Lula? Russo apontou dois fatores que, em sua avaliação, ajudam a explicar a melhora de Lula em alguns indicadores: as medidas anunciadas pelo governo e a mobilização da esquerda nas ruas e nas redes sociais. Apesar desses sinais, Russo ponderou que o resultado continua indefinido. Flávio Bolsonaro chegou à frente no primeiro turno e ainda aparecia numericamente à frente na pesquisa mais recente, embora a diferença em relação ao presidente tenha diminuído em alguns indicadores.
Continua após a publicidade
O medo de uma vitória do adversário pode levar mais gente às urnas? Para Russo, o receio de que o candidato rejeitado vença pode ser um estímulo importante à participação eleitoral. Mesmo eleitores insatisfeitos com as duas candidaturas podem decidir comparecer às urnas para evitar o resultado que consideram pior. O diretor citou eleições competitivas anteriores para explicar que, embora a abstenção costume aumentar no segundo turno, a proporção de votos brancos e nulos pode cair quando a disputa está acirrada. Nesse cenário, a mobilização dos dois lados tende a ganhar força nos últimos dias. Na avaliação de Russo, esse movimento pode favorecer Lula caso eleitores que normalmente não compareceriam às urnas decidam votar, já que, segundo ele, parte desse contingente tende a apoiar o presidente. O diretor, no entanto, ressaltou que essa possibilidade depende do comportamento efetivo dos eleitores no sábado e no domingo da votação.
Continua após a publicidade
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do telejornal VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
Publicidade
Notícias Veja