Por Bruce WilliamPostado em 08 de novembro de 2026 Em 1974, o King Crimson atravessava um período bastante complicado.
Apesar de ter lançado alguns dos discos mais importantes do rock progressivo, a banda enfrentava tensões internas, mudanças de formação e o crescente descontentamento de Robert Fripp com a indústria musical. O guitarrista decidiu que precisava se afastar, mas isso não significava necessariamente o fim do grupo.
Tanto que chegou a considerar um substituto bastante conhecido: Steve Hackett, então integrante do Genesis. Na época, o King Crimson havia encerrado uma turnê pelos Estados Unidos e preparava o lançamento de Red, álbum gravado por Fripp, John Wetton e Bill Bruford, com participações de outros músicos.
O guitarrista, entretanto, já havia decidido que precisava mudar os rumos de sua vida. Em entrevista à revista Guitar World, publicada em janeiro de 2026, ele contou que, ao consultar seus diários de 1974, encontrou registros das tentativas de manter a banda funcionando sem sua participação.
"Para mim, eu precisava deixar o Crimson, mas isso não significava que o Crimson precisava acabar. Então a questão era como manter o King Crimson funcionando como um King Crimson autêntico, mas sem mim", explicou Fripp.
O músico chegou a considerar o retorno de antigos integrantes e a contratação de outros instrumentistas, procurando uma formação capaz de dar continuidade ao trabalho que vinha sendo desenvolvido. Foi nesse contexto que surgiu o nome de Hackett.
"Vejo que telefonei para Steve Hackett em várias ocasiões, e que Steve era um guitarrista que talvez pudesse me substituir. Todas essas discussões estavam acontecendo, e eu sentia uma responsabilidade pela banda e pelos roadies, porque eles dependiam daquilo para viver", recordou Fripp, ao comentar os registros encontrados em seus diários.
A possibilidade, entretanto, não avançou. Segundo Fripp, o empresário David Enthoven deixou claro que não havia interesse em continuar com o King Crimson sem seu principal idealizador.
"Naquele momento, telefonei para Bill e John e disse: 'Bem, é isso'. E foi isso, acho.
Bill não ficou feliz. Acho que John também não.
Mas o que eu poderia dizer? Não consegui convencer ninguém de que havia uma maneira alternativa de o King Crimson seguir em frente." O mais curioso é que Steve Hackett nem sequer sabia que havia sido considerado para a vaga.
O guitarrista só tomou conhecimento da história muitos anos depois. "Eu não tinha absolutamente nenhuma consciência disso na época.
Robert e eu nos conhecíamos e passávamos algum tempo juntos. Eu não tinha nada além de admiração pela maneira como ele basicamente liderava aquela banda", declarou.
Hackett também recordou que o King Crimson havia sido uma influência importante para o Genesis, especialmente pela maneira como misturava elementos do jazz, da música clássica e do rock. A ligação entre os grupos era antiga: o próprio Genesis havia comprado um Mellotron usado do King Crimson, numa negociação que aproximou Hackett e o tecladista Tony Banks de Fripp.
"Nós, do Genesis, éramos os primos pobres naquela época. Tínhamos um instrumento de segunda mão do King Crimson", brincou.
O King Crimson acabou encerrando suas atividades em 1974, enquanto Hackett permaneceu no Genesis até 1977, participando de álbuns como "The Lamb Lies Down on Broadway", "A Trick of the Tail" e "Wind & Wuthering". Fripp voltaria a utilizar o nome King Crimson em 1981, numa formação bastante diferente daquela que havia deixado para trás.
A possibilidade de Hackett assumir seu posto ficou apenas nos planos, mas oferece uma ideia de como poderia ter sido diferente a trajetória do rock progressivo caso aquela substituição tivesse acontecido.
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