O estadista e o maloqueiro

O estadista e o maloqueiro - Foto
Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

O primeiro debate do segundo turno colocou Lula e Flávio Bolsonaro frente a frente na noite deste domingo, na Band, e terminou com mais acusação do que proposta. É difícil analisar quem venceu. Cada um enxerga o confronto com a própria mente e a própria lente, e a subjetividade é grande demais para um veredito. Este é daqueles casos em que a única pesquisa que vale será a urna, no domingo que vem. Uma coisa a experiência já permite apontar. Flávio Bolsonaro foi arrogante, e arrogância em debate não costuma ser bem recebida pelo eleitor indeciso. Confesso que esperava mais do presidente Lula. Queria propostas, promessas, um discurso de futuro, e ouvi menos do que a campanha pedia. Faltou futuro. Um programa de metrô e trem nas grandes cidades, energia solar nas casas e nas escolas, o VLT de Salvador levado a outras capitais, o transporte como direito de integrar o país. O data center apareceu como tema de outro planeta, quando a conta de luz aperta o orçamento de qualquer família. Dois lances da noite merecem nota. O desafio de abrir os sigilos bancários e telefônicos pareceu perda de tempo na hora, e as redes depois mostraram que a frase pegou. A insistência no filme Dark Horse, com os R$ 134 milhões apontados pela Polícia Federal, rendeu repetição demais para um assunto grave. Flávio não foi ao debate para responder. Foi para performar, com a arrogância de quem nunca precisou prestar conta. Mostrou “corrupto” na palma da mão, desviou de perguntas e copiou o jeito de Trump contra Hillary em 2016, mais perguntar do que responder. Chegou a afirmar, sem fonte, que a maioria dos presidiários votou em Lula. O presidente respondeu que gostaria que fossem 100%, “até o teu pai”. O melhor golpe da noite saiu de Lula. “Ele conhece ônibus por literatura, porque ele nunca entrou no ônibus”, disse, e lembrou que o adversário nunca trabalhou. O primeiro emprego do senador foi de assistente de partido, aos 19 anos, no tempo em que o pai era deputado federal. O formato foi bom, com dois candidatos e perguntas cruzadas. O problema da noite não foi o formato, foi a baixaria. O domingo teve ato dos dois lados, Flávio na Paulista com Nikolas Ferreira, Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes, e Lula poupando a rua para mandar a campanha às periferias. A expectativa era de que o debate decidisse alguma coisa, e não decidiu. A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira, 19 de outubro de 2026, marcou 46,5% para Flávio e 45,9% para Lula, empate técnico na margem de dois pontos. Na espontânea, os dois têm 44,5% cada. A disputa segue embolada. Um estadista e um maloqueiro dividiram o palco, e a resposta que importa sai das urnas no dia 25 de outubro.

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site Cafezinho