'O diabo veste Prada 2' 'é um raro exemplar de um tipo de filme que Hollywood quase não faz mais', diz crítica

 

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Fazer uma sequência 20 anos após o filme original sem parecer mero caça-níqueis é um desafio. “O diabo veste Prada 2” tem dois trunfos: personagens que o espectador vai amar rever e atores à altura.

A verdade é que história nem precisaria ser grandes coisas. Mas o longa do mesmo David Frankel de “O diabo veste Prada” consegue, com graça e leveza, dizer coisas relevantes sobre os tempos de hoje, seja a crise do jornalismo ou a falta de alma em um mundo obcecado com resultados financeiros.

Andy (Anne Hathaway) e Miranda (Meryl Streep) se reencontram quando a primeira volta à Runway para devolver a credibilidade jornalística à revista. A publicação está abalada pela crise no mercado editorial, o que a torna refém de gente como Emily (Emily Blunt), executiva de uma grande grife. Nigel (Stanley Tucci) continua o fiel escudeiro de Miranda.

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A produção alcança o equilíbrio do agora com os acenos ao passado, como o azul cerúleo da famosa cena e a necessidade de Andy de ser validada por Miranda. Os personagens não deixaram de ser quem são, mas amadureceram. Miranda aprendeu a contragosto que certas atitudes e expressões são intoleráveis. As relações continuam cheias de graça e farpas, mas também de admiração e ternura. Dessa vez, Nigel não é o único a mostrar que, debaixo das roupas elegantes, bate um coração. “O diabo veste Prada 2” é um raro exemplar de um tipo de filme que Hollywood, tão preocupada com números quanto as demais indústrias, quase não faz mais, mas de que o público precisa em tempos tão conturbados: aquele que faz você deixar o cinema com um quentinho no lado esquerdo do peito.