Caso Maduro: Soldado acusado de ganhar R$ 2 milhões com apostas se declara inocente em Nova York

 

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O sargento das Forças Especiais do Exército dos Estados Unidos Gannon Ken Van Dyke se declarou inocente nesta terça-feira, durante audiência em um tribunal federal de Nova York, das acusações de ter lucrado mais de US$ 400 mil (cerca de R$ 2 milhões) com apostas baseadas em informações confidenciais sobre a operação que levou à captura de Nicolás Maduro. A apresentação diante da Justiça marca um novo capítulo do caso, que investiga o uso indevido de dados sigilosos por um militar diretamente envolvido na missão.

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Van Dyke, de 38 anos, compareceu ao tribunal vestindo roupas civis e respondeu às acusações diante da juíza Margaret Garnett. Segundo a acusação, ele utilizou conhecimento privilegiado sobre a operação militar para realizar apostas em um mercado de previsões, obtendo ganhos expressivos pouco antes da captura de Maduro.

O militar teria investido cerca de US$ 32 mil (R$ 160 mil) em apostas relacionadas à situação política da Venezuela, incluindo previsões sobre a saída de Maduro do poder até o fim de janeiro. As apostas foram feitas entre o fim de dezembro e o início de janeiro, dias antes da operação militar que resultou na retirada do líder venezuelano do palácio presidencial em Caracas.

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Os promotores afirmam que Van Dyke participou do planejamento e da execução da operação, realizada na madrugada de 3 de janeiro sob intenso confronto armado. A ação resultou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que posteriormente foram levados para custódia sob autoridade dos Estados Unidos.

Nicolás Maduro após captura do líder venezuelano no dia 4 de janeiro de 2026

Reprodução

Segundo a acusação, o militar teria feito pelo menos 13 apostas utilizando informações às quais teve acesso por meio de seu trabalho nas Forças Especiais. Após o sucesso da operação, os valores apostados se multiplicaram, gerando um lucro superior a US$ 400 mil (cerca de R$ 2 milhões).

O caso é considerado inédito pelas autoridades americanas por envolver, pela primeira vez, acusações criminais relacionadas ao uso de informações privilegiadas em mercados de previsão, plataformas onde usuários apostam em resultados de eventos políticos, econômicos e até culturais.

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Após receber os ganhos, Van Dyke teria transferido o dinheiro para um cofre de criptomoedas no exterior e, posteriormente, movimentado os valores para uma conta em uma corretora online recém-criada. Ainda segundo os investigadores, ele teria solicitado à plataforma a exclusão de sua conta após a repercussão do caso na imprensa.

A acusação também menciona uma fotografia publicada pelo militar logo após a operação. Na imagem, segundo os promotores, ele aparece no que parece ser o convés de um navio, ao amanhecer, vestindo uniforme militar e carregando um rifle, ao lado de outros integrantes das forças armadas — o que reforçaria sua participação direta na missão.

Van Dyke foi preso na última semana e responde a uma série de acusações, incluindo uso indevido de informações governamentais confidenciais para ganho pessoal, roubo de dados não públicos, fraude eletrônica, fraude de commodities e realização de transações financeiras ilegais. Ele chegou a comparecer anteriormente a um tribunal na Carolina do Norte e foi liberado após pagamento de fiança de US$ 250 mil (R$ 1,25 milhão).

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O caso também levantou preocupações em Washington sobre o crescimento das apostas envolvendo eventos geopolíticos. Após a prisão do militar, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou a prática e afirmou que o mundo estaria se tornando “um cassino”, demonstrando preocupação com o uso desse tipo de plataforma.

Além disso, investigações paralelas apontam que outras movimentações suspeitas em mercados financeiros ocorreram antes de anúncios importantes relacionados a conflitos internacionais, ampliando o debate sobre o uso de informações privilegiadas por agentes públicos.