247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerrou o debate presidencial da TV Globo, nesta sexta-feira (23), com um ataque ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu adversário no segundo turno. Nas considerações finais, Lula pediu votos, relembrou sua trajetória pessoal e afirmou que o Brasil não pode ter “um miliciano no Palácio do Planalto”.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, questionou os eleitores sobre as condições de vida nos últimos quatro anos e prometeu recuperar o poder de compra da população caso seja eleito. As declarações foram feitas na etapa final do último confronto televisivo entre os candidatos antes da votação de domingo (25).
Após o debate, ambos concederam entrevistas à TV Globo, nas quais abordaram temas como juros, autonomia do Banco Central, meio ambiente e as propostas apresentadas durante a campanha. Ao se dirigir aos eleitores, Lula agradeceu a atenção dos brasileiros e pediu desculpas por declarações feitas ao longo do confronto.
O presidente também incentivou os telespectadores a pesquisarem qual governo havia realizado mais gastos públicos, em referência às acusações trocadas durante a discussão sobre economia. O petista destacou sua trajetória pessoal e política, lembrando que começou a trabalhar aos 12 anos.
Ao encerrar sua participação, pediu apoio para continuar na Presidência da República e fez a declaração sobre a presença de um “miliciano” no Palácio do Planalto, em referência ao adversário. A afirmação constituiu uma acusação política feita por Lula durante o debate e não deve ser confundida com uma conclusão judicial sobre Flávio Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro pergunta se a vida dos brasileiros melhorou Em suas considerações finais, Flávio Bolsonaro procurou concentrar a mensagem na situação econômica das famílias e nas promessas apresentadas durante a campanha.
“Faz uma reflexão aqui comigo. A sua vida melhorou ou piorou nos últimos quatro anos?”, questionou o senador.
O candidato do PL reafirmou o compromisso com as propostas defendidas ao longo da disputa presidencial e prometeu adotar medidas para recuperar o poder de compra da população. Lula diz que não prioriza fim da autonomia do Banco Central
Depois do debate, Lula participou de uma entrevista conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, que o questionou sobre a independência do Banco Central. O presidente afirmou que acabar com a autonomia da instituição não é uma prioridade de seu governo.
Ressaltou, no entanto, que considera necessária uma redução da taxa básica de juros para estimular a atividade econômica. Lula também manifestou confiança no presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e disse esperar que a taxa de juros apresente uma trajetória de queda.
Ao comentar o cenário econômico, o petista mencionou conflitos internacionais como fatores que influenciam as condições financeiras e a condução da política monetária. A posição apresentada na entrevista complementou as críticas feitas pelo presidente durante o debate, quando questionou Flávio Bolsonaro sobre a autonomia do Banco Central, estabelecida durante o governo Jair Bolsonaro.
Presidente acusa Flávio de mentir durante confronto Na mesma entrevista, Lula voltou a criticar o adversário e afirmou que Flávio Bolsonaro havia mentido durante o debate.
O presidente também fez uma avaliação negativa da trajetória política do senador, afirmando que seu passado “é ruim”. “Eu espero que o povo brasileiro saiba o que fazer”, declarou Lula, ao comentar a decisão que será tomada pelos eleitores no segundo turno.
As declarações ocorreram depois de um debate marcado por acusações mútuas sobre segurança pública, economia e a atuação dos governos Lula e Jair Bolsonaro. Flávio promete zerar desmatamento até 2029
Em entrevista após o confronto, Flávio Bolsonaro criticou a política ambiental do governo Lula e apresentou uma promessa para o setor. O candidato do PL afirmou que pretende zerar o desmatamento até 2029, caso seja eleito presidente da República.
Ao mesmo tempo, criticou o que chamou de “travas ideológicas” impostas por órgãos de controle ambiental, defendendo mudanças na atuação dessas instituições. Ao comentar seu desempenho, Flávio Bolsonaro afirmou que o encontro colocou frente a frente as “propostas do futuro”, que atribuiu à própria candidatura, e as “do passado”, em referência a Lula.
As entrevistas encerraram a participação dos candidatos no debate da Globo, realizado a dois dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.
Brasil 247